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Filosofia, Psicologia, Psicanálise, Literatura e Política

O melhor do que estou lendo.
May 10

Rainer Maria Rilke


Elimine meus olhos: eu poderei te ver,
Arranque meus ouvidos: eu poderei te ouvir,
E sem pés poderei caminhar até você,
E sem boca ainda poderei te invocar.
Corte meus braços, eu te segurarei
Com meu coração como se uma mão fosse,
Pare meu coração, e meu cérebro baterá,
E incendeie meu cérebro,
Então te carregarei em meu sangue.
April 20

Maximiano Campos


Não deixes que a tua
armadura enferruje.
Principalmente no peito,
que é perto do coração.

Segura a espada
larga o escudo,
pois medo não é proteção.
Permite que o Sol bata na poeira
e o vento leve o sujo
do aço que te cobre.

Na loucura, só na loucura,
estarás liberto. O teu mito
é Sol, liberdade e céu aberto.

Clarice Lispector

 
E umas das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora de minha própria vida.
March 24

A suposta existência - Carlos Drummond de Andrade


Como é o lugar quando ninguém passa por ele?
Existem as coisas sem ser vistas?
O interior do apartamento desabitado?
A pinça esquecida na gaveta?
Os eucaliptos à noite no caminho três vezes deserto?
A formiga sob a terra no domingo?
Os mortos, um minuto depois de sepultados?
E nós, sozinhos no quarto sem espelho.

Sobre o autor:
Nascido em 1902 em Itabira do Mato Dentro - MG, faleceu no Rio de Janeiro em 1987. Chegou a se formar em Farmácia. Seu rigor na literatura beira a obsessão. Escreveu poesias, crônicas, contos e ensaios. Traduziu autores importantes para o português.
March 21

Nietzsche


Sim ! Eu sei muito bem de onde venho !
Insaciável como a chama no lenho
Eu me inflamo e me consumo.
Tudo que toco vira luz,
Tudo que deixo, carvão e fumo.
Chama eu sou, sem dúvida.
March 16

Gabriel García Márquez


Quando deram as sete na catedral, havia uma estrela solitária e límpida no céu cor-de-rosas, um barco lançou um adeus desconsolado, e senti na garganta o nó górdio de todos os amores que puderam ter sido e que não foram.

February 09

Cazuza


O amor é o ridículo da vida
A gente procura nele uma pureza impossível
Uma pureza que está sempre se pondo, indo embora
A vida veio e me levou com ela
Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue
Bonita e breve como borboletas que só vivem 24 horas.
Morrer não dói.
February 06

A insustentável leveza do ser - Milan Kundera


(...) Outrora, o homem ouvia com assombro o som de batidas regulares que vinham do fundo de seu peito e se perguntava o que seria aquilo. Não podia se identificar com uma coisa tão estranha e desconhecida como o corpo. O corpo era uma gaiola e, dentro dela, uma coisa qualquer olhava, escutava, tinha medo, pensava e se espantava; essa coisa qualquer, essa sombra que subsistia, deduzido o corpo, era a alma.
Hoje, é claro, o corpo deixou de ser um mistério: sabemos que o que bate no peito é o coração, que o nariz nada mais é que a extremidade de um tubo que sai do corpo para levar oxigênio aos pulmões. O rosto nada mais é que o painel em que terminam todos os mecanismos físicos: a digestão, a visão, a audição, a respiração, a reflexão.
Depois que o homem conseguiu nomear todas as partes do corpo, o corpo o inquieta menos. Atualmente, cada um de nós sabe que a alma nada mais é que a atividade da matéria cinzenta do cérebro. A dualidade entre a alma e o corpo foi dissimulada por termos científicos e, hoje, não passa de um preconceito fora de moda que só nos faz rir.
Mas basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se dissipe.
January 28

Flávio Brayer - Da criança cidadã ao fim da infância


Sabemos que uma das críticas mais constantes feitas à escola contemporânea é sua incapacidade de tratar, no seu interior, a diversidade de demandas, de interesses, de motivações; seu atraso em relação à emergência de novos contextos sociais, culturais, econômicos; seu aspecto autoritário, onde os "jovens" não são ouvidos nem respeitados em suas solicitações. Junte-se a isto o fato de ela se encontrar, hoje, numa situação de "déficit de promessa": em troca das horas enfandonhas passadas diante de um professor; dos meses e anos de cursos, tarefas, obrigações, leituras, avaliações… o que a escola oferece? Houve um tempo em que a passagem pela escola representava a promessa de inserção profissional, para uns, de acesso aos postos da administração, para outros, de capitalização simbólica e distinção social ou simplesmente de formação do "espírito". Mas estas promessas já não são inteiramente realizáveis e, por exemplo, a relação entre escolaridade e empregabilidade tornou-se dramaticamente frágil e instável. Daí por que qualquer experiência escolar que invista minimamente no "respeito" aos alunos, na escuta de sua "palavra", no atendimento de suas urgentes necessidades sociais, culturais, identitárias é logo vista como um caminho desejável e a ser perseguido, encontrando imediata recepção nos meios que, por razões muito diversas, são sensíveis aos problemas de uma sociedade particularmente complexa e às voltas com crescentes problemas de exclusão e desigualdade.
A ausência de diálogo e de democracia são, por assim dizer, temas transversais neste tipo de inquietação e crítica, já que a escola seria uma espécie de território do mesmo: conteúdos iguais para todos e em detrimento de seus interesses, um modelo único de racionalidade, uma tábua de valores etnocêntricos, um sistema de avaliação homogeneizante; em suma, sua impotência para tratar com o plural, o diferente, o diverso.

Flávio Brayner - Da criança cidadã ao fim da infância


Acrescente-se a tudo isso - em si surpreendente - o fato de que, à decadência da família patriarcal, à ascensão das mulheres à condição de, muitas vezes, mantenedoras e provedoras do sustento familiar, as relações entre pais e filhos se "democratizaram": os filhos são constantemente solicitados a opinarem e decidirem sobre temas que, até há pouco, estavam reservados à responsabilidade adulta. Mas, numa época de "crepúsculo do dever", as antigas atribuições dos adultos também se enfraqueceram: desresponsabilização em relação aos filhos, resistência a assumir e viver a maturidade, culto de uma juventude prolongada expresso em termos de uma obssessiva corporeidade saudável, alimentação balanceada, cirurgias estéticas, consumo incontrolável de medicamentos "regeneradores", cosméticos "anti-rugas"… indicadores de um individualismo narcísico que podemos interpretar como a manifestação, no adulto, do egocentrismo habitualmente associado à criança.

Flávio Brayner - Da criança cidadã ao fim da infância


Vivemos hoje uma situação particularmente constrangedora que é a superexposição mediática da intimidade, desvelando aquelas experiências que, até há pouco, eram exclusivas do domínio privado: a agonia final do moribundo, todas as formas do prazer sexual, a intimidade afetiva de casais transformada em jogos televisivos etc; interpondo entre eu e a consciência que tenho de mim mesmo, um olho público invasivo e inquiridor. Instaurou-se um voyeurismo social ampliado que banalizou a intimidade a um ponto em que a definição de identidades subjetivas e psíquicas fica ameaçada, inaugurando, ao mesmo tempo, um generalizado hábito de consumo de egos postiços. Por outro lado, uma hipervalorização desta mesma intimidade tem produzido um processo de exagerada privatização da vida, de hiperindividualismo, de "umbilicalismo" narcisista cuja contraface é o desinvestimento público, o desinteresse civil, o abandono e a demissão política deixada a cargo dos "profisionais", com evidentes riscos para a continuidade daquilo que entendemos por democracia e cidadania.

A indiferenciação, ou melhor, o apagamento de fronteiras antes entendidas como relativamente exclusivas é, talvez, uma marca bem característica de nossa modernidade tardia. Fronteiras nacionais, culturais, identitárias, sexuais, comerciais, lingüísticas estão em vias de desaparecimento e, com elas, aquelas que delimitavam os espaços do público e do privado, aqueles até então não completamente intercambiáveis da visibilidade e o da intimidade. É verdade que todo este movimento vai de par com a afirmação de localismos identitários; com a radicalização dos pertencimentos étnicos ou nacionais, com a ressurgência de fundamentalismos e integrismos de toda ordem etc.

Mas o apagamento de fronteiras vai bem além daquelas assinaladas entre o público e o privado, entre a intimidade e a Cidade, e somos constrangidos a aceitar que ele atinge um domínio cujas conseqüências ainda estamos longe de avaliar corretamente e que, com certeza, recairão sobre tudo o que imaginamos pertencer ao "pedagógico": aquelas que separavam o adulto da criança e que, de uma certa forma, nos acostumamos a pensá-las como "natural".
Joshua Meyrowitz nos mostra que um tal embaralhamento de fronteiras só foi possível porque "nestes últimos trinta anos, a imagem e o papel da criança mudaram consideravelmente. A infância enquanto período de vida protegida e ao abrigo das preocupações praticamente desapareceu", e não hesita em nomear esta tendência de "fim da infância", essencialmente ligada à nossa passagem de uma cultura livresca à uma cultura televisiva.


Flávio Brayner - Da criança cidadã ao fim da infância


(...) este conjunto de fenômenos recentes que têm provocado uma preocupante usura do espaço público: a transformação de cidadãos em simples consumidores que precisam ser constantemente "produzidos" através de uma máquina de convencimento e sedução, que coloca a mercadoria no centro das políticas de administração do desejo; acrescente-se, ainda, a transformação da política em espetáculo, o descrédito social dos partidos políticos que deixaram, há muito, de representar aquilo que chamávamos de "correntes de opinião", o desenvolvimento de uma tecnoburocracia que tende a substituir o espaço político da discussão e da visibilidade por uma administração puramente "instrumental" da sociedade… e veremos que os riscos que correm a democracia e a própria idéia de cidadania são perigosamente presentes e vão muito além da discussão em torno dos "excluídos".
January 27

Lou Andreas Salomé


Reduzi meus deveres a apenas um: perpetuar minha liberdade. O casamento e seu séquito de possessão e ciúme escravizam o espírito. Espero que chegue o tempo em que nem o homem, nem a mulher sejam tiranizados pelas fraquezas mútuas.
January 21

Amyr Klink


Um homem precisa viajar. Por sua conta, e não apenas por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.
December 22

Bertold Brecht


Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

November 16

Esquecimento - Jorge Luis Borges


Já somos o esquecimento que seremos, a poeira elementar que nos ignora, que não foi Adão e que é agora todos os homens. Somos apenas duas datas: a do princípio e a do término. Não sou o insensato que se aferra ao mágico som de seu próprio nome. Penso com esperança naquele homem que não saberá o que fui sobre a terra. Abaixo do indiferente azul do céu, esta meditação é um consolo.

Sobre o autor:
Jorge Luis Borges é argentino, mas sua literatura teve forte influência dos autores ingleses. Nas poesias e ensaios, a biblioteca de seu pai é uma referência constante.
 

Desigualdade


Cinco mil famílias brasileiras – 0,01% da população – têm em mãos patrimônio de R$ 700 bilhões (média de R$ 140 milhões por família).

(Documento-base da Campanha da Fraternidade de 2005)

November 04

Cazuza, "Ideologia"


Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou.
 
November 02

Darcy Ribeiro


Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas.

Guerra do Vietnã


Texto retirado do site PORTAL MILITANTE - O PORTAL REVOLUCIONÁRIO BRASILEIRO

Em 1961, os EUA iniciam seu envolvimento no conflito entre o Vietnã do Norte (comunista) e o do Sul, que havia se acirrado dois anos antes. O apoio norte-americano ao regime anticomunista do Sul se amplia até a completa intervenção militar a partir de 1965. Em 1973, com o cessar-fogo, os norte-americanos contabilizam a maior derrota de sua História. Em 1976 o Vietnã está reunificado. A participação dos EUA nessa guerra é mais uma escalada da disputa entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético pela hegemonia mundial. A intervenção norte-americana se dá após o envolvimento gradual em uma região que há muito vivia conflitos anticolonialistas e divisões internas. Em 1946, a Liga pela Independência (Vietminh), criada na luta contra o domínio francês na Indochina, forma um Estado separatista no norte do Vietnã sob a liderança do dirigente comunista Ho Chi Minh  (1890-1969). Tem início então a guerra entre a França e o Vietminh.

Em 1949 os franceses estabelecem o Estado do Vietnã no Sul, instalam como rei Bao Dai e, no ano seguinte, legitimam a independência. O Vietminh não reconhece a decisão e reivindica para si o controle sobre todo o país. Esse conflito acaba em maio de 1954 com a derrota francesa na batalha de Diem Bien Phu. O acerto feito na Conferência de Genebra, no mesmo ano, impõe a retirada das tropas da França e divide o Vietnã em dois: o do Norte, sob o regime comunista de Ho Chi Minh, e o do Sul, que se torna monarquia independente, encabeçado por Bao Dai.

Por exigência dos EUA, o acordo marca para julho de 1956 um plebiscito em que o povo vietnamita decidiria sobre a reunificação. Os norte-vietnamitas aceitam a divisão, por acreditar que a unificação sob o governo comunista seria referendada nas urnas. Mas no sul, o primeiro-ministro Ngo Dinh Diem, anticomunista fervoroso, dá um golpe de Estado em outubro de 1955, instalando uma ditadura militar contrária à reunificação. As forças armadas sulistas passam a receber dinheiro e treinamento militar dos EUA. Apoiada por Ho Chi Minh, a resistência comunista do Sul cria em 1960 a Frente de Libertação Nacional (FLN), tendo com braço armado o Exército Vietcong.

O presidente norte-americano John Kennedy (1917-1963) reage e envia para o Vietnã do Sul 15 mil “conselheiros militares”, que criam comandos do Pentágono na região. A ruptura entre o governo sulista e o povo cresce. Monges budistas queimam-se vivos como tochas humanas em praça pública para chamar a atenção mundial sobre a intolerância da ditadura. Em 1963, Diem é assassinado, no primeiro de uma série de golpes militares que geram o caos político e levam os EUA a intervir de vez na guerra.

Escalada norte-americana – A efetiva intervenção militar norte-americana é decidida em 1964, por Lyndon Johnson (1908-1973), recém-chegado à presidência após o assassinato de Kennedy. Marca o início da escalada da guerra. O pretexto é o suposto ataque norte-vietnamita a navios norte-americanos no Golfo de Tonquim. O Vietnã do Sul recebe reforço de tropas dos EUA, que ao mesmo tempo iniciam sistemáticos ataques aéreos ao Norte. O Exército Vietcong resiste com táticas de guerrilha aos sofisticados armamentos ocidentais, entre eles bombas de fragmentação, napalm e desfolhantes químicos.
 
Em 31 de janeiro de 1968, guerrilheiros e soldados norte-vietnamitas lançam a ofensiva do Tet (Ano Novo vietnamita). Invadem a embaixada dos EUA em Saigon, atacam quase todas as bases norte-americanas e marcham sobre as principais cidades do Sul. As forças norte-americanas e sul-vietnamitas respondem com ferocidade sem igual em toda a guerra, provocando a morte de 165 mil vietnamitas e 2 milhões de refugiados. O governo norte-americano enfrenta crescentes protestos pacifistas em casa. Mesmo assim o presidente Richard Nixon  (1913-1994) ordena o ataque à trilha de Ho Chi Minh – rede de estradas, pontes camufladas e sistemas de comunicação que alimenta a FLN com armas e munições da China e da URSS.

Reunificação – Os intensos bombardeios sobre Hanói em 1972 e o bloqueio de portos norte-vietnamitas também não dão resultado. Os EUA acabam por aceitar o Acordo de Paris, em 1973, que estabelece o cessar-fogo. São convocadas eleições gerais no Vietnã do Sul e libertados os prisioneiros de guerra. Os EUA perdem 45.941 soldados, têm 800.635 feridos e 1.811 desaparecidos em ação. Não há estatísticas seguras sobre as baixas vietnamitas, mas ultrapassam 180 mil. Com a retirada das tropas norte-americanas, o confronto se transforma em guerra civil entre vietcongs e forças do governo do Sul. Em 1976, depois de três décadas de guerra e arruinados economicamente, os dois Vietnãs se reunificam sob o nome de República Socialista do Vietnã, com capital em Hanói. 

Salete Aguiar


Não!
Não sou eu neste retrato, amigo.
Esta é a imagem de um outro,
morto
há muito.
November 01

Castelo


Antes jovem lutava pelo bem comum, hoje luta pelo bem de consumo.
October 31

Salete Aguiar


Hoje contei
cento e dezoito vidas diferentes,
todas possíveis em meu mesmo corpo.
Todas vivi um pouco ou quase nada,
e o que sobrou foi essa miscelânea
de indecisões e dúvidas crescentes.

October 27

Provocações - Luís Fernando Veríssimo


A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!

Sobre o autor:
Nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá.
October 26

Modéstia - Arthur Schopenhauer


Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.
O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?
 

Ju

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Juliana Mendes de Oliveira

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www.bonzinhocoisanenhuma.spaces.live.com

. Estudante do 5.º ano de Psicologia (UNIMEP);
. Estudante de Psicanálise;
. Amante dos livros de Niezsche;
. Ex-adventista e atual agnóstica;
. MSN: jujuzinhex@hotmail.com

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Esse blog será atualizado diariamente.  Agradeço a sua visita!

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GRANDE ABRAÇO COLEGA ESTUDANTE. EXCELENTE SEMANA PARA TI E FAMÍLIA.

FICA COM DEUS SEMPRE EM TEU CORAÇÃO. AS AÇÕES SÃO GUIADAS E DETERMINADAS PELO QUE TEMOS EM NOSSOS CORAÇÕES ASSIM, MANTER UM CORAÇÃO PURO, PORÉM GUERREIRO, SE FAZ NECESSÁRIO.

MEU CARINHO SEMPRE. ##################                      *************************************FUI.

 

May 3
xwrote:
você é bonito, bonito e intelectual, ......
Feb. 9
achei seu espaço de muito bom gosto e  rico só de coisas legais  que fazem pensar, um bom e abençoado dia
Jan. 13
      OLÁ JULIANA. VIM PARA TE DIZER QUE DESEJO-TE BOAS FESTAS E BELO INÍCIO DE ANO. QUE TU E OS QUE TE SÃO CAROS, POSSAM VERDADEIRAMENTE TER PAZ, FÉ, LUZ DIVINA NO CORAÇÃO E NA ALMA E SENDO ASSIM, POSSAM SEGUIR SEUS CAMINHOS DE MANEIRA  HUMILDE E CORRETA. FAZENDO SEMPRE O MELHOR POR SI E POR CONSEQÜÊNCIA O MELHOR PELO ALHEIO. GRANDE BEIJO. TUDO DE BOM A CADA DIA. MARTA.
Dec. 18
Juray Castrowrote:
Estou lendo "Jesus viveu na India", de Holger Kersten. Teologo alemão que produziu uma obra contundente a respeito da presença de Jesus na região da Caxemira na India, em um trabalho fartamente documentado que desafia dogmas e tradições.
 
Sugiro a leitura.
Dec. 4
Juray Castrowrote:
Acabei de ler o texto de Verissimo postado aqui, e não pude deixar de me lembrar da leitura recente da obra de Mário Cortella entitulada; "Não espere pelo epitáfio".
 
O autor trabalha com conceitos e ditos populares de domínio público tais como: "Quem espera sempre alcança... A vingança tarda, mas não falha... Quem não deve não teme", etc:. e a partir de conceitos pensados e expostos a reflexões dos conceituados pensadores, estabelece a premissa de que é impossível se transferir as experiências vividas, construindo a partir deste enfoque outras perspectivas, ao mostrar que conceitos antigos e pré-estabelecidos podem não ser a solução universal de todas as questões e por isso mesmo estão sujeitos aser burlados e esquecidos.

 Afinal, não precisamos esperar a morte chegar para querer fazer, pensar e principalmente viver com intensidade.
 
Sugiro a leitura.
 
Um Beijão!
Nov. 2
Ricardowrote:
Achei seu espaço interessante; porém, se me permite opinar, um pouco carregado.
Suas fotos são belas. Parabéns!
Aug. 12
Picture of Anonymous
MD wrote:
"Gatsby acreditou na luz verde, no orgiástico futuro
que, ano após ano, se afastava de nós.
Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã
correremos mais depressa, estenderemos mais os braços,
e, uma bela manhã...
E assim prosseguiremos, botes contra a corrente,
impelidos incessantemente para o passado."
Essa passagem é uma das minhas preferidas. Blog muito interessante. Bj.
June 22
TRABALHO COM LIVROS E ACHEI INTERESSANTE ESSE ESPAÇO.
PARABÉNS!
E VAMOS MANTER CONTATO.
May 15
David Mourawrote:
Achei seu perfil muito interessante e gostaria que você me adicionasse como amigo. Aprecio também a boa literatura e as boas músicas. Tudo regado a um bom vinho. Gosto também de filosofia. Você conhece Spinoza? Se não, precisa conhecer: é o maior que eu acho. Enfim, adicione-me e vamos participar de cafés filosóficos virtuais. Beijos.
Mar. 19
Oii,
 
Seu espaço é muito iunteressante. Sem contar é claro dos livros e recomendações de site (q serviriam de tema para um novo scrap ^^')
Mas eu te convidei....
Me aceite para falarmos sobre alguns assuntos q são de interesses em comum !!!
 
Abraços... XD
Oct. 31
Ola Juliana td certinho??
Adorei o seu space, principalmente os livros, também sou fã de leitura inteligente,
Espero que vc me atualize pra gente poder batr um papo
abraços
Leandro Ribeiro Campos
Oct. 26
Vídeos interessantes que você encontra no site www.youtube.com
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