Juliana's profileFilosofia, Psicologia, P...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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January 31 A verdadeira dívida externa - Guaicaipuro CautémocEu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos. O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.
É para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Nas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica. January 30 O apanhador no campo de centeioA característica do homem imaturo é aspirar morrer nobremente por uma causa, enquanto que a característica do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa - Wilhelm Stekel (psicanalista citado no livro "O apanhador no campo de centeio". (...) Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terrreno, e se sentritá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmos, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora.
January 28 Neurótico - LacanEles satisfazem algo que vai sem dúvida ao encontro daquilo com o que eles poderiam satisfazer-se, ou talvez melhor, eles dão satisfação a alguma coisa. Eles não se contentam com seu estado, mas, estando nesse estado tão pouco contentador, ele se contentam assim mesmo. (Lacan, 1964/1990, p. 158). January 23 Humano demasiadamente humano - Nietzsche
Sem dúvida, semelhante homem terá noites ruins quando deverá estar cansado e encontrar fechada a porta da cidade que deveria lhe oferecer repouso: pode ser, que, além disso, como no oriente, o deserto se estenda até essa porta, que os animais selvagens uivem ora longe, ora perto, que um vento violento se levante, que salteadores lhe roubem os animais de carga. Então talvez a espantosa noite haverá de descer sobre ele como um segundo deserto no deserto e seu coração ficará cansado de viajar. Então talvez aurora se levante sobre ele, ardente como uma divindade em estado de ira, que a cidade se abra, e ele há de ver talvez no rosto dos habitantes mais ainda deserto, sujeita, velhacaria, insegurança do que do lado de fora das portas – e o dia será sempre pior que a noite. Isso pode acontecer ás vezes ao viajante; mas em seguida vêm, em compensação, as manhãs deliciosas de outras regiões e de outras jornadas, nas quais vê desde o despontar do dia, nas neblinas dos montes, os coros das musas avançar dançando ao seu encontro, depois, mais tarde, quando pacificamente no equilíbrio da alma das manhã, ao passear sob as árvores, cair a seus pés, de seu topo e de suas copas, uma quantidade de coisas boas e claras, os presentes de todos os espíritos livres que estão em sua casa na montanha, na floresta e na solidão e, que , precisamente como ele, à sua maneira ora alegre, ora refletida,, são como viajantes e filósofos. Nascidos dos mistérios da manhã, pensam em que pode dar ao dia, entre a décima e a décima segunda batida do relógio, um rosto tão puro, tão penetrado de luz, tão radiante de claridade – eles procuram a filosofia de antes do meio-dia. January 21 1984 - George Orwell(...) O movimento cíclico da história era agora inteligível ou parecia ser; e sendo inteligível, era alterável. Mas a causa principal, subexistente, era que, desde o começo do século vinte, a igualdade humana se tornara tecnicamente possível. Verdade ainda que os homens não eram iguais nos seus talentos inatos e que as funções tinham ser especializadas de maneira que favoreciam uns indivíduos contra outros; porém não havia mais nenhuma necessidade real de distinção de classe nem de grades diferenças de fortuna. Em épocas anteriores, as distinções não tinham sido apenas inevitáveis como desejáveis. A desigualdade era o preço da civilização. Todavia, com o desenvolvimento da produção a máquina, alterou-se o caso. Mesmo que ainda fosse necessário aos seres humanos desempenhar diferentes tipos de profissão, já não era preciso que vivessem em diferentes níveis sociais ou econômicos. Portanto, do ponto de vista dos novos grupos que estavam a pique de tomar o poder, a igualdade humana não era mais um ideal a atingir, era um perigo a evitar. Em épocas mais primitivas, quando de fato não era possível uma sociedade justa e pacífica, fora bem fácil acreditar nela. A idéia de um paraíso terreno em que os homens vivessem juntos num estado de fraternidade, sem leis nem trabalho brutal, invadira durante milhares de anos a imaginação humana. E essa visão tinha certo fascínio mesmo sobre os grupos que realmente se beneficiaram de cada mudança histórica. Os herdeiros das revoluções inglesa, francesa e americana haviam parcialmente acreditado nas próprias frases a respeito dos direitos do homem, liberdade de palavra, igualdade perante a lei e quejandas, e até haviam permitido que sua conduta fosse por elas influenciadas, dentro de certos limites. Mas ao advir a quarta década do século vinte, eram autoritárias todas as principais correntes do pensamento político. O paraíso terreno desacreditara no momento exato em que tornara realizável. Cada nova teoria política fosse qual fosse o seu rótulo, conduzia de nova à hierarquia e a regimentação. E no endurecimento geral de atitudes verificado por volta de 1930, práticas havia longo tempo abandonadas, em alguns casos durantes séculos - prisão sem julgamento, uso de prisioneiros de guerra como escravos, exceções públicas, tortura para arrancar confissões, o uso de reféns e deportação de populações interias - não só voltaram a ser comuns como eram toleradas e até defendidas por pessoas que se consideram esclarecidas e progressivas. January 14 Assim falou Zaratustra - NietzscheHá pouco perscrutei teus olhos, ó vida! Vi reluzir ouro em teus olhos noturnos e essa voluptuosidade paralisou-me o coração. Vi cintilar uma barca de ouro que submergia em águas noturnas, uma barca de outro que submergia e reaparecia fazendo sinais! Tu dirigias um olhar aos meus pés, doidos por dançar, um olhar acariciador, terno, risonho e interrogador. Saltei a teu encontro. Tu retrocedeste a meu impulso e até em mim serpenteava tua voadora e fugidia cabeleira. Num pulo me afastei de ti e de tuas serpentes. Já te erguias com os olhos cheios de desejo. Com lânguidos olhares me mostras sendas tortuosas. Por tortuosas sendas aprende astúcias meu pé. Receio-te quando te aproximas, amo-te quando estás longe. Tua fuga me atrai, tuas diligência me detêm. Sofro, mas não haveria de sofrer por ti? Tu, cuja frieza incendeia, cujo ódio seduz, cuja fuga prende, cujos enganos comovem! Quem não te odiaria, grande carcereira, sedutora, enlaçadora, tentadora, ó tu que procuras e encontras? Quem não te amaria, inocente pecadora, impaciente, arrebatadora como o vento, pecadora de olhos infantis? Para onde me arrastas agora, indômito prodígio? E já me tornas a fugir , doce esquiva, doce ingrata! Dançando, sigo tuas menores pegadas. Onde estás? Dá-me a mão! Ou um dedo somente! Há por aí cavernas e bosques, onde haveremos de nos extraviar. Pára! Detém-te! Não vês corujas e morcegos batendo as asas? Coruja, tu mesma! Morcego! Quereis brincar comigo? Onde estamos? Com os cães aprendestes a uivar e a rosnar. Com pequenas mãos brancas tu me fazes gestos estranhos e gentis e teus malvados olhos se fixam em mim por entre tuas madeixas encaracoladas. É uma dança por montes e vales! Eu sou o caçador. Queres ser meu cão ou a camurça perseguida? Agora, a meu lado! E depressa, maldosa saltadora! Acima agora! Desgraça! Ao saltar, eu mesmo caí. Olha como estou aqui estendido! Olha, altaneira, como imploro teu socorro! Gostaria de continuar contigo por caminhos mais agradáveis! Pelos caminhos do amor, através do esmaltados bosques! Ou pelos que margeiam o lado, onde nadam e saltam dourados peixes! Estás cansada, agora? Ali em baixo há ovelhas e crepúsculos vermelhos. Não é bom adormecer ao som da flauta dos pastores? Então, estás assim cansada? Vou levar-te, deixa somente pender os braços. E tens sede? POderia dar-te alguma coisa, mas tua boca não quer beber. Oh! Essa maldita serpente! Feiticeira fugidia, veloz e ágil. Onde te meteste? Sinto no rosto dois sinais de tua mão, dois sinais vermelhos! Estou deveras farto de te seguir sempre como ingênuo cordeirinho! Feiticeira, até agora cantei para ti. Agora, para mim, tu deves gritar! Deves dançar e gritar ao ritmo do meu chicote! Acaso, esqueci do chicote? Não! January 08 A casa dos Budas Ditosos - João Ubaldo RibeiroNa minha experiência, mas enfatizo que só falo por mim, o menos satisfatório é mulher com duas mulheres, e o mais satisfatório - suprise! - é duas mulheres com um homem. O ideal é que todo mundo nesse grupo se transe, mas não é indispensável. O indispensável é que as duas mulheres se dêem muito bem, em matéria de rivalidade sejam esportistas, sinceras e gostem e tenham tesão no homem e, um belo dia, decidam transformá0lo em sultão e elas em odaliscas. E, muito preferivelmente, que todos sejam amigos, essa história de que não se pode misturar amizade com sexo é uma maluquice, é precisamente o contrário, meu Deus do ceu. É porque as pessoas envolvem o sexo em tanta merda - mesquinharias, ciúmes, despeitos, inseguranças, disse-me-disse, suspeitas, afirmações de ego, tanta, tanta merda - que fazer sexo com amigo às vezes acaba prejudicando a amizade. Não se oferece merda aos amigos, atentar nisso, os amigos são muito importantes. (...) Indecente é comer pessoas que não seriam nossas amigas. Isso só se admite em raríssimos casos, como, por exemplo para satisfazer uma perversãozinha.
(...) se certas verdade óbvias fossem admitas de uma vez por todas. Atraso, atraso, vivemos segundo regras e padrões para os quais nenhum ser humano foi feito e, claro, ficamos malucos por isso. Não se se já falei que encaro com piedade a mulher que diz sincera e proibitivamente "meu negócio é homem, minha filha" e, freqüentemente, é irrecuperável para uma visão do mundo e uma vida sadias, até porque fortificada por trás da sua muralha de neuroses e crendices. Fico com pena. A bem dizer, fico com pena não só desas mulheres como dos homens em condição análoga, fico com pena de todos esses exclusivos do araque. Preferências, sim; exclusividade, jamais. Nunca me deixei engabelar por essas baboseiras que nos impingem como fazendo parte da natureza humana. Não se pode estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo, meu Deus, quanta gente morreu e morre todos os dias por causa dessa dogma babaca, que é tão arraigado que a pessoa, homem e, principalmente, mulher, que está ou é apaixonada por dois ou três entra em conflitos cavernosíssimos, se remói de culpa, se acha um degenerado, não confessa o que sente nem às paredes, impõe-se falsíssimos dilemas, tortura, é uma situação infernal e cancerígena todo mundo lutando estupidamente para ser quixotes e dulcinéias. É o atraso, o atraso! Em tese, somos capazes de nos apaixonar por tantas pessoas quantas sejamos capazes de lembrar, o limite é este, não um ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco, ou dezessete, todos esses números são arbitrários, tirânicos e opressores. Tá lá o meu fichário apaixonativo, com o perfil do que eu acho atraente, que é bastantevasto. Entrou novo contato, perfil aprovado, eu posso me apaixonar por ele. Hoje eu estou altamente informática. A superstição perniciosa generalizada é que é preciso deletar o anterior, para aceitar o novo. Que pobreza, que pobreza, que pobreza, que atraso! Se a memória aceita, se o perfil confere, se a senha foi dada, roda os dois programas ao mesmo tempo, roda os três, roda os vinte, porra! Minimiza um, roda embaixo o outro, exporta um arquivo pra lá, outro pra cá, a informática é muito educativa, para que os débeis mentais que tanto pontificam e nos abalam com suas besteiras compreendam que os processos mentais que consideram sublimes e prova da existência de Deus são meras linhazinhas de comando de rotina no DOS do cérebro, o buraco é abissalmentissimamente mais embaixo. Claro que a paixão nova, no primeiro momento, mobiliza muito o apaixonado, que tende a ficar cego para os outros arquivos e ai, na maior parte das vezes, o entulho burro começa a aporrinhar, o camarada foi treinado para não achar aquilo certo, tem que deletar o arquivo em uso, não sei o quê. A analogia informática continua certeira, é como um programa novo, um brinquedo novo. Mas depois a gente abre o arquivo mais antigo, é bom, reaviva, estimula, meu Deus, por que erigimos empecilhos absurdos e destrutivos da beleza da Criação, os arquivos podem conviver na maior paz; clica, ele abre, tudo pronto para o deleite de todos e o cumprimento cioso quão alegre da sina! O limite é a memória! January 03 Frase de Eça de QueirósNão há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do actual governo? Não! " |
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