Juliana's profileFilosofia, Psicologia, P...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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October 31 Salete AguiarHoje contei cento e dezoito vidas diferentes, todas possíveis em meu mesmo corpo. Todas vivi um pouco ou quase nada, e o que sobrou foi essa miscelânea de indecisões e dúvidas crescentes. October 27 Provocações - Luís Fernando VeríssimoA primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!
Sobre o autor: Nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá. October 26 Modéstia - Arthur SchopenhauerQuem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas. O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm? October 19 Frase citada no Café Filosófico por Márcia TiburiSchopenhauer diz: "A filosofia não é prescrição, ela não é receita, portanto ela não serve para resolver os problemas, ela serve para colocar os problemas". October 13 Frases citadas no Café Filosófico por Luís Felipe Pondé.: (...) o ser humano é uma coisa para qual não existe solução. Eu acho que isso é uma das coisas mais importantes para pessoas modernas ou pós-modernas como nós tomarmos consciência disso. Uma das razões, uma das provas que o ser humanos não é um bicho e tem uma solução, é o fato como no mercado das soluções polupulam soluções. A última grande solução que está no mercado é que se você lançar no universo boas energias ele vai devolver pra você coisas boas. Essa é a última solução barata que tem no mercado. .: Como diz a tradição dos monges antigos, você vai para o deserto para entrar em contato com seus próprios demônios, olha aí a idéia do auto-conhecimento. Não existe nenhuma forma de auto-conhecimento a sério se você não entra em contato com seus demônios. Se você acha que não tem demônios é porque não tem nem um milímetro de auto-conhecimento porque o processo de auto-conhecimento é sempre um mergulho nos próprios demônios.
.: O filósofo americano do século XIX chamado Emerson fala assim (...) que a época que ele vivia era uma época em que a vida, o mundo e a sociedade se transformou numa espécie de lago congelado. Esse lago congelado tem uma fina casca de gelo sobre ele e o que a gente faz é deslizar sobre essa fina casca de gelo (...). Quando você está deslizando sobre uma fina casca de gelo se você andar devagar você morre, se você parar o chão racha. O que o autor queria dizer é que o mundo que a gente vive demanda de você tamanha agilidade, tamanha aceleração, tamanha leveza, tamanha superficialidade que qualquer profundidade pode colocar sua vida em risco. (...) Deslizar pelo lago congelado demanda de você uma agilidade cada vez maior, uma competência cada vez maior, uma eficácia cada vez maior. E se você não fizer esse movimento na realidade o chão racha e você cai no lago congelado. (...) Como você pode sobreviver deslizando continuamente sobre um lago congelado?
(...) Uma das únicas chances que você tem de pensar sério nas coisas e passar a ter consciência é quando simplesmente você cansa de fazer o jogo. A consciência estaria associada a possibilidade que você tem de parar de fazer o jogo e correr o risco de diminuir a velocidade. E se você diminui a velocidade, você corre evidentemente o risco do chão rachar e no momento que o chão racha é aí que você pode ter a experiência da vertigem que acontece no devir do auto-conhecimento. .: O conhecimento só vale a pena, quando ele pode colocar a sua vida em risco. Por sua vida em risco no sentido de levar você ter uma percepção que leve você ter uma vertigem, qu leve você perceber a profundidade das coisas.
.: O surto da eficácia é essa obsessão que você tem pela eficácia o tempo todo, pelo sucesso... O interessante no sucesso é o seguinte, ele nunca é o bastante. E se você estiver feliz com o seu sucesso por definição você está começando a não fazer sucesso, porque você está parando. Não parem nunca, continuem a subir, continue a avançar, agregue valor, continue a se tornar capaz, cada vez mais capacitado. Esse processo. .: O que é um ser humano curado? O que é um ser humano bem resolvido? É no mínimo uma pessoa que você deve duvidar dela, justamente porque ela passa a idéia de ser bem resolvida. .: Existem coisas na vida muito mais sérias do que a felicidade. Quando você é uma pessoa que fica buscando a felicidade o tempo todo, seguramente você vai parecer uma pessoa banal. Você vai parecer uma pessoa risível. Se você ficar procurando a felicidade o tempo todo, você tem grande chance de logo começar a consumir soluções de R$ 1,99.
.: Todo mundo que você ama tem o poder de mandar em você (...). Todo mundo que você ama pode fazer um inferno na sua vida. (...). A única forma de você ser livre das pessoas é você não amar ninguém. A gente quer um amor que seja uma mala que tem roda. Porque se for uma mala sem roda e você tiver que carregar aquilo, você não quer. O veneno nasce porque você está querendo construir uma vida legal, ótima, que a sua relação seja muito boa e acredita naquela idéia abstrata de amar e respeitar o outro mutualmente. (...) O amor é uma confusão, que desorganiza tudo. Luiz Felipe Pondé é filósofo, pós-doutor em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv e professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião, do Depto de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da FAAP. Articulista do jornal Folha de S.Paulo, é autor, entre outros títulos, de O Homem Insuficiente (Edusp), Crítica e Profecia, filosofia da religião em Dostoievski (ed. 34), Conhecimento na Desgraça (Edusp) e Do Pensamento no Deserto (Edusp). Credo - Consuelo de CastroDou esmola a bêbado, me benzo na porta de igreja, me emociono com beijo de novela e morro de inveja das coxas da Madonna. Acredito em fidelidade conjugal, tesão sem prazo de validade e milagre de santo expedito. Que dinheiro não traz felicidade, o importante é competir, o fracasso é pedagógico, beleza não põe a mesa, dias melhores virão e o que passou passou. Tem pílula que emagrece dormindo, creme que tira ruga na primeira passada, arte e democracia emanam do povo e em seu nome são exercidas. Muito em breve não haverá mais um só analfabeto em todo o território nacional, uma só menina vendendo o corpo pra comprar cocada, um só recém nascido morto em berçário ou casebre, um único velho maltratado em asilo público, um único jovem sem oficio, baile e salário e a tortura nas delegacias será coisa dos anais da história, acredito no fim da miséria, da arrogância e do desprezo. Que fechando os olhos a dor passa, o telefone toca e o amor chega . E todos os homens que batem em mulher serão ridicularizados em público e terão seus nomes publicados em dossiês municipais e até bairro a bairro, em caso de megametrópole. Acredito no que me ensinaram a acreditar e no que me desensinaram. No que foi prometido e no que não foi. No que se cumpriu e no que ficou na intenção ou nem isso. Acredito no que quero, quando quero e só se quero. Porque cínica ou crédula no meu coração mando eu. E mais do que tudo acredito no que me ensinou o maestro Mignone no primeiro dia de aula de canto orfeônico: se a gente canta o hino nacional com a mão no coração, a pátria mãe será sempre gentil e jamais nos deixará ao desamparo.
Sobre a autora: Consuelo de Castro, nasceu em Araguaia - MG, em 1946. Grande dramaturga e escritora brasileira. Se formou em Ciências Sociais na FFLCH - UPS. Escreveu ‘Caminho de Volta’, 'Marcha à Ré', 'À flor da Pele', entre outras peças. October 12 Trecho de "Bartlet’s Familiar Quotations" - Martin NiemöllerEles começaram perseguindo os comunistas, e eu não protestei, porque não era comunista.
Depois, vieram buscar os judeus, e eu não protestei, porque não era judeu. Depois ainda, vieram buscar os sindicalistas, e eu não protestei, porque não era sindicalista. Aí, vieram buscar os homossexuais, e eu não protestei, porque não era homossexual. Aí então, vieram buscar os ciganos, e eu não protestei, porque não era cigano. E depois, vieram buscar os imigrantes, e eu não protestei, porque não era imigrante. Depois, vieram me buscar. E já não havia ninguém para protestar! Sobre o autor: Líder religioso alemão, Martin Niemöller viveu o holocausto na Alemanha, foi prisioneiro num campo de concentração nazista. October 07 Sustentabilidade e criseEXCELENTE este vídeo que um amigo me recomendou, vale muito a pena ver, sobre sustentabilidade e crise do atual sistema de produção mundial (crise financeira por tabela, daí entendemos que a crise no sistema financeiro é só a ponta do iceberg...): www.unichem.com.br/videos.php O link acima é para uma versão dublada em português, a versão original (em inglês) está em www.storyofstuff.com Outro video sensacional sobre o mesmo tema é o documentário The Corporation, inspirado no fantástico livro homônimo, de Joel Bakan. Ele está disponível na íntegra no Youtube, em inglês, dividido em 23 partes, também vale muito a pena ver: http://br.youtube.com/view_play_list?p=FA50FBC214A6CE87 O video deste documentário já está disponível em DVD no Brasil, dublado ou legendado, mas o livro por enquanto só em inglês mesmo. Abraços e boa reflexão. October 04 O viajante - NietzscheTrecho retirado do livro Humano demasiadamente humano. Aquele que quiser, mesmo que fosse somente em certa medida, chegar à liberdade da razão, não tem de se sentir na terra de outra forma senão como um viajante – e nem mesmo para um périplo para um objetivo final: pois como viajante – não o tem. Mas se proporá a observar bem e manter os olhos abertos para tudo o que se passa realmente no mundo; é por isso que não pode apegar muito intensamente seu coração a nada em particular; é preciso que tenha sempre nele alguma coisa de viajante que tem prazer pelas mudanças e pela passagem. Sem dúvida, semelhante homem terá noites ruins quando deverá estar cansado e encontrar fechada a porta da cidade que deveria lhe oferecer repouso: pode ser, que, além disso, como no oriente, o deserto se estenda até essa porta, que os animais selvagens uivem ora longe, ora perto, que um vento violento se levante, que salteadores lhe roubem os animais de carga. Então talvez a espantosa noite haverá de descer sobre ele como um segundo deserto no deserto e seu coração ficará cansado de viajar. Então talvez aurora se levante sobre ele, ardente como uma divindade em estado de ira, que a cidade se abra, e ele há de ver talvez no rosto dos habitantes mais ainda deserto, sujeita, velhacaria, insegurança do que do lado de fora das portas – e o dia será sempre pior que a noite.
Isso pode acontecer ás vezes ao viajante; mas em seguida vêm, em compensação, as manhãs deliciosas de outras regiões e de outras jornadas, nas quais vê desde o despontar do dia, nas neblinas dos montes, os coros das musas avançar dançando ao seu encontro, depois, mais tarde, quando pacificamente no equilíbrio da alma das manhã, ao passear sob as árvores, cair a seus pés, de seu topo e de suas copas, uma quantidade de coisas boas e claras, os presentes de todos os espíritos livres que estão em sua casa na montanha, na floresta e na solidão e, que , precisamente como ele, à sua maneira ora alegre, ora refletida,, são como viajantes e filósofos. Nascidos dos mistérios da manhã, pensam em que pode dar ao dia, entre a décima e a décima segunda batida do relógio, um rosto tão puro, tão penetrado de luz, tão radiante de claridade – eles procuram a filosofia de antes do meio-dia. Lolita - Vladimir Nabokov.: Dois anos antes, com a ajuda de um inteligente confessor de língua francesa (a quem, num mnomento de curiosidade metafísica, eu havia submetido um opaco ateísmo protestante em troca de uma cura papista à moda antiga), ainda tivera a esperança de deduzir de meu senso de pecado a existência de um Ser Supremo. Naquelas manhãs frígidas em que a geada engalanava as ruas de Quebec, o bom padre vertia sobre mim toda a sua ternura e compreensão. Sou-lhe infinitivamente grato, assim como à grande instituição que ele representava. Mas eu era incapaz de transceder o simples fato humano de que, fosse qual fosse o consolo espiritual que pudesse obter, fossem quais fossem as eternidades litofânicas que me esperavam no Além, nada poderia fazer minha Lolita esquecer a imunda lascívia que eu lhe infligira. A menos que me seja provado - a mim como sou agora, que nas dobras infinitas do tempo de nada importa que uma menina americana chamada Dolores Haze tenha sido privada e de sua infância por um maníaco, a menos que isso possa ser provado (e, se puder, então a vidaé uma piada), não vejo nenhuma cura para minha desgraça senão o paliativo melancólico, e de um efeito muito local, da arte articulada.
Como diz um velho poeta: "Este senso moral dos mortais é o tributo/ A pagar pelo senso de mortal beleza".
.: Eu te amei, Era um monstruoso pentápode, mas como te amava. Era despresível, brutal, torpe - tudo isso e muito mais, mais je t´aimais, je t´aimais! E houve momentos em que sabia como você se sentia, e era um inferno sabê-lo, minha menina querida. Minha pequena Lolita, minha corajosa Dolly Schiller!
Lembro certas ocasiões (icebergs no paraíso) em que, saciado dela - após fabulosas e dementes investidas que me deixavam exausto, o corpo listrado de azul na luz que penetrava pelas persianas do motel -, eu a tomava nos braços com (enfim) um mudo gemido de ternura humana (sua pele brilhando com reflexos de neon, seus cilios cor de fuligem emaranhados, seus olhos sérios e cinzentos mais vazios do que nunca - para todos os efeitos uma pequena paciente recém-saída da sala de operação, atordoada (ainda anestesia); e a ternura, penetrando mais fundo, transformava-se em vergonha e desespero, e eu embalava a leve e longínqua Lolita nos meus braços de mármore, e gemia nos seus cálidos cabelos, e a acariciava a esmo implorando mudamente seu perdão e, no auge dessa onda de ternura tão humana, tão sofrida e abnegada (com minha alma literalmente pairando sobre seu corpo nu, prestes a arrepender-se), de repente, ironicamente, horrivelmente, o desejo voltava a crescer - e "ah, não", diria Lolita com um suspiro dirigido aos céus, e no instante seguinte a ternura e a listras azuis se partiam em mil pedaços.
.: Agora, contorcendo-me de dor e declaterando contra minha própria memória, reconheço que naquela ocasião, como em outras semelhantes, eu sistematicamente cuidava de ignorar os sentimento de Lolita apenas para aliviar minha vil consciência.
.: (...) pouco a pouco, durante nossa singular e animalesca coabitação, a mente convencional de Lolita foi se dando conta de queaté msmo a mais miserável das vidas em família era preferível àuqela paródia de incesto - que, afinal de contas, era o que eu tinhademelhor a oferecer à pobre criança abandonada. October 01 Frases citadas no Café Filosófico por Tales Ab`Saber
.: O fato de uma pessoa ter uma vida sexual ativa não que dizer que elas estão se constituindo como sujeitos sexuais. Todos sabemos que o processo da maturação sexual é longo e trabalhoso, e algumas pessoas que nunca conseguem, diga-se de passagem. Muitas pessoas estão beijando e beijando, transando e transando e qualquer coisa assim, tem uma sexualidade simbólicamente pobre, inclusive pode nem ser sexual, aí no sentido de uma experiência de uma sexualidade que implique o sujeito integralmente, que o constitua na experiência. Muitas as pessoas não estão vivendo uma vida sexual. Podemos encontrar no consultório um homem de 32 anos que disse "agora sim eu sei o que é a ordem sexual, agora eu sei o que é gozar, e o que é amar", um homem que tinha transada várias vezes, mas nunca vivido isso. Há uma diferença entre o ato e a ação e isso se tornar sujeito, entre isso se tornar experiência objetiva. Tales Ab`Saber é Mestre em Artes e Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, professor da Escola da Cidade e pesquisador do programa de Psicopatologia NAIPPE/USP. |
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