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November 29 Modéstia - Arthur SchopenhauerQuem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas. O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm? Sobre o autor: O filósofo do pessimismo, Arthur Schopenhauer, nasceu na Polônia (1788 - 1860). Inimigo intelectual e pessoal de Hegel. Sua observação atenta do comportamento humano foi precurssora da psicanálise. Liberdade! - Rui BarbosaLiberdade! Entre tantos que te trazem na boca sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho, porque no fundo da minha consciência eu te vejo como estrela no fundo do obscuro espaço. Nunca te desconheci, nem te trairei nunca; porque a natureza impregnou dos teus elementos a substância do meu ser. Sobre o autor: Rui Barbosa foi um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Rui era dotado de inteligência privilegiada e capacidade de trabalho. Características que permitiram-lhe deixar marcas como advogado, como jurista, jornalista, diplomata e político. November 27 Analfabeto polício - Bertold BreschtO pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo. Sabedoria - ProustA sabedoria não se transmite. É preciso que a gente mesmo a descubra depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar, e que ninguém nos pode evitar. Porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas. November 26 Mulher - FreudDe acordo com sua natureza peculiar, a psicanálise não tenta descrever o que é a mulher – seria estar uma tarefa difícil de cumprir - , mas se empenha em indagar como é que a mulher se forma, como a mulher se desenvolve desde a criança dotada de disposição bissexual. MaternidadeMulher, como te chamas? - Não sei Quanto nasceste, tua origem? - Não sei Por que cavaste um buraco na terra? - Não sei Há quanto tempo estas aqui escondida? - Não sei Por que mordeste o meu anular? - Não sei Sabes, não te faremos mal nenhum. - Não sei De que lado estás? - Não sei E tempo de guerra, tens que escolher. - Não sei Existe ainda a tua aldeia? - Não sei E estas crianças, são tuas? - Sim Wislawa Szymborka Vivendo em uma situação limite, a guerra, a mulher em questão perdeu todas suas referências identitárias. Sabe apenas de sua condição de mãe. Sabe apenas que aqueles são seus filhos. Nada mais. Este é o único saber que a referencia.
Fonte: Estranhas entranhas - Psicanálise e depressão na gravidez (Marcia Zucchi) November 22 A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado - EngelsTambém é verdade que, em alguns povos do mundo antigo e em algumas tribos selvagens ainda existentes, a descendência é contada por linha materna e não por linha paterna, tomando-se como válida somente a linha materna. O estudo da história da família data de 1861, com o aparecimento do livro Direito Materno de Bachofen. Nesse livro, o autor faz as seguintes afirmações: 1) nos tempos primitivos, os homens viviam em total promiscuidade sexual; 2) Esse tipo de relação excluía qualquer possibilidade de estabelecer, com segurança, a paternidade, de modo que a filiação só podia ser contada por linha feminina, segundo o direito materno, e que isso ocorria em todos os povos antigos;
3) – por conseguinte, as mulheres, como mãe, como únicos genitores conhecidos da nova geração gozavam de elevado grau de apreço e consideração chegando, segundo afirma Bachofen, ao domínio feminino absoluto (ginecocracia); 4) - (...) antes da monogamia, existiu realmente entre os gregos e asiáticos um estado social em que não só o homem mantinha relações sexuais com diversas mulheres, mas também a mulher mantinha com diversos homem, sem com isso violarem a moral estabelecida.
É mais ainda que, por esse motivo, não se podiam nos tempos primitivos contar a descendência, a não ser por linha materna, isto é, de mãe para mãe. E que essa validade exclusiva de linha materna se manteve por muito tempo, mesmo no período da monogamia que se seguiu, com a paternidade já estabelecida, ou pelo meno, reconhecida. A tolerância recíproca entre os machos adultos e ausência de ciúmes constituíam a primeira condição para formar esses grupos maiores e duradouros que eram os únicos em cujo seio podia ocorrer a transformação do animal em homem. Que significam relações sexuais sem restrições? Significa que não se aplicavam os limites proibitivos vigentes hoje ou numa época anterior. Uma das idéias mais absurdas transmitidas pela filosofia do século XVIII é a de que, nos inícios da sociedade, a mulher teria sido escrava do homem. Entre todos os selvagens e em todas as tribos que se encontram nas fases inferior, média, e até em parte na superior da barbárie, a mulher não só é livre, mas também muito considerada. A respeito dos habitantes da península da Califórnia (fase superior do estado selvagem) conta Bancroft que eles têm certas festividades em que se reúnem várias “tribos” para praticar relações sexuais sem distinção. As mulheres babilônicas estavam obrigadas a entregar-se uma vez por ano, no templo de Milita (a deusa do amor). Outros povos da Ásia Menor enviavam suas filhas ao templo de Ananis, onde, durante vários anos, elas deveriam praticar o amor livre com os favoritos de sua escolha, antes de lhes ser concedida a permissão para casar. Em quase todos os povos asiáticos entre o Mediterrâneo e o Ganges há práticas análogas, disfarçadas em costumes religiosos. Em outros povos não existe esse disfarce religioso, Entre alguns trácios, celtas, etc., na antiguidade, em muitos dos aborígines da Índia, nos povos malaios, nos habitantes das ilhas dos mares do sul e entre muitos índios americanos ainda hoje – as jovens gozam de maior liberdade sexual até contraírem matrimônio. Formação da sociedade moderna - Cyro MioranzaNo entender de Engels, foi com a derrocada da família como subsistia nos moldes primitivos e enquanto célula-mater de uma economia de subsistência, organizada em grupos e interesses comuns, vivendo numa propriedade comum a todos e regida por leis derivadas do poder materno ou do poder paterno em que os laços parentescos eram vitais para a sua sobrevivência harmoniosa e segura e em que não havia produção de excedentes, tornando desnecessário o comércio e o decorrente acúmulo de riquezas, foi com o declínio dessa estrutura familiar primitiva que a sociedade moderna foi se formando. Victor HugoAs ilusões sustentam a alma como as asas a um pássaro. Jean-Ives LeloupAmamos tão pouco e tão mal, com uma metade ou até mesmo com um quarto de nós mesmos. E amamos, no outro, alguns pedaços escolhidos, aqueles que nos causam menos medo. E tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que nos agrada e com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz. November 21 Imagine - John LennonImagine que não existe céu É fácil se você tentar Nenhum inferno abaixo de nós E acima apenas o céu Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo Nada pelo que lutar ou morrer E nenhuma religião Imagine todas as pessoas
Vivendo em paz Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único Desejo que um dia você se junte a nós E o mundo, então, será como um só Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse Sem necessidades e fome Uma irmandade humana Imagine todas as pessoas Compartilhando o mundo
Talvez você diga que eu sou um sonhador Mas não sou o único, desejo que um dia você se junte a nós E o mundo, então, será como um só November 16 Estudos sobre o Exibicionismo IXNa significativa obra Mãe, Virgem, Prostituta: a Idealização e a Depreciação da Maternidade, o primeiro estudo psicanalítico do porte de um livro a respeito das perversões sexuais femininas, a Dra. Welldon contou, entre outros casos, a história da Senhorita E, mulher de 34 após que começou a exibir a genitália sobretudo para autoridades do sexo feminino, a partir dos 17 anos. Para se exibir rapidamente, a Senhorita E usava um, sobretudo especial e sentia um prazer enorme em chocar as vítimas, inclusive as suas médicas. Com o tempo, o exibicionismo da Senhorita E provocou sua expulsão de escolas, empregos, centros de treinamento e até de grupos de aconselhamento e hospitais psiquiátricos. Infelizmente, a Senhoria E não conseguia controlar os seus impulsos e, em certa ocasião, uma das vítimas a esbofeteou. A Dra. Welldon frisou que, durante o período de amadurecimento da paciente, a mãe da Senhorita E a masturbava e fazia o mesmo com os outros filhos para acalmá-los. Aliás, a mãe confirmou, em conversa posterior, o uso desse recurso na "criação dos filhos". A mãe confessou que "era mais fácil do que dar a chupeta. Ela teve de suportar as surras que levava do marido bêbado, e a masturbação ritmada das crianças lhe dava alguma satisfação. Welldon observou com perspicácia que a Senhorita E, pelo fato de escolher se exibir para mulheres poderosas, tinha esperança de que as suas médias e outras mulheres da mesma estatura a contivessem e tornassem figuras maternas melhores que a mãe dela. Welldon concluiu: "Seu anseio por uma reação de choque das vítimas era correlacionado com a seqüência favorável de que as mulheres com autoridade - mãe simbólicas - não reagiriam como a mãe dela, usando-a e explorando-a como um objeto parcial". Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP – 2005 Estudos sobre o Exibicionismo VIIIOs profissionais da psicanálise também fizeram um bom número de observações perspicazes sobre os estopins imediatos de um episódio de exibicionismo, em geral associando o ato a um trauma, abandono ou uma humilhação recente. Clifford Allen relatou o caso de um homem que mostrou o pênis depois que uma mulher rejeitou a sua proposta de casamento. Christopher Lucas escreveu sobre um homem que mostrou os genitais imediatamente depois de ter brigado com a mulher. E Wayne Myers revelou que o seu paciente fotoexibicionista mostrou uma foto do seu pênis ereto a outro dos pacientes de Myers na sala de espera, logo depois de o psicanalistas ter avisado que sairia de férias em breve. Resumindo as contribuições psicanalíticas para o estudo do exibicionismo como modalidade de perversão sexual, podemos enumerar as seguintes observações. 1. O exibicionismo serve para comunicar uma perturbação interna, geralmente ligada a traumas na primeira infância. 2. O exibicionismo atua como defesa contra a angústia de castração e como reforço da potência masculina. 3. O exibicionismo protege o paciente da relação sexual com mulheres que sejam consideradas perigosas ou castradoras. 4. O exibicionismo protege o paciente da homossexualidade. 5. O exibicionismo permite ao paciente manifestar seu sadismo com as mulheres, especialmente oo ódio pela mãe. 6. O exibicionismo atua como exibição narcísea. 7. O exibicionismo expressa as tendências masoquistas do paciente e a sua necessidade de levar a polícia e outras autoridades a prendê-lo, satisfazendo, assim o seu desejo de ser punido. 8. O exibicionismo ajuda a restaurar a auto-estima abalada do paciente. 9. O exibicionismo permite ao paciente transformar sentimentos agressivos em sentimentos sexuais. Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP – 2005 Estudos sobre o Exibicionismo VIIAo contrário de muitos psiquiatras adeptos da idéias de que a maioria dos exibicionistas mantém um relacionamento heterossexual, Socarides (psicanalista americano) percebeu a predominância de desejos e tendências homossexuais nos seus pacientes exibicionistas. Socarides afirmou que, quando pequenos, os exibicionistas não conseguem atravessar a fase de separação-individuação do desenvolvimento, período em que o menino se dissocia da mãe, com quem ele teve uma proximidade muito grande. Por não superar a fase de superação-individuação, o menino pré-exibicionista identifica-se muito mais com a mãe do que com o pai, carregando assim, por toda a vida, o sentimento de inadequação como homem. O ato exibicionista servirá, então, para provocar o reconhecimento da masculinidade e para reduzir o que Socarides chamou de identificação feminina primordial do exibicionista. De acordo com Socarides, o exibicionista tece de suportar um relacionamento bastante difícil com a mãe, que, muito provavelmente, privou o filho de carinho quando bebê. Pela história da vida dos pacientes, o autor soube de casos de negligência extrema e abandono, o que quase sempre resultou em depressão mais adiante na vida. Para Socarides, a exibição obscena serve não apenas para desviar os impulsos femininos e buscar uma injeção de masculinidade, mas também para afastar os sentimentos depressivos, especialmente a sensação de desesperança do exibicionista. Quanto às experiências da infância, parece que os exibicionistas enfrentam a falta de carinho e atenção no relacionamento com a mãe quando bebês e também que, à medida que passam os primeiros anos de vida, os futuros exibicionistas freqüentemente são rejeitados a cenas reais de nudismo na sua casa. O Dr. Sandor Lorand abordou o caso de uma menina de 16 anos que se despia inteiramente nas festas de embalo. Certa vez, ela incentivou um rapaz de 20 anos a tirar todas as roupas e conseguiu fazê-lo chegar ao clímax. A mãe da moça consultou o Dr. Lorand sobre o comportamento da filha, e logo se soube que, na infância da menina, a própria mãe anda nua pela casa, assim como os filhos. Desse modo, podemos inferir que as experiências com nudez e exibição na primeira infância contribuem posteriormente para uma sensação da familiaridade com despir-se em público. Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP – 2005 Estudos sobre o Exibicionismo VISem dúvida, a maior contribuição de Freud para o estudo do comportamento exibicionista deve ser sua insistência em que cada um de nós começou a vida como um bebê exibicionista e, apesar de a maioria conseguir conter o impulso de se exibir sem razão, o pervertido clínico falha nesse aspecto. Contudo, ao insistir em que todos os adultos, homens e mulheres, praticaram a exibição genital quando crianças e também tiveram prazer nisso, Freud ajudou a humanizar essa conduta e, ao fazê-lo, creio eu, colabora conosco na campanha de encarar o exibicionista clínico com maior compaixão e empatia. Ferenczi conclui que o impulso para o indivíduo exibir seu pênis potente, que deve ser tentador, foi tão reprimido que poderia transformar-se no seu oposto, ou seja, um medo de olhar para si mesmo, como defesa contra a exibição. Jeno Hárnik inferir que o exibicionismo tem para os homens um papel importante, o da defesa contra a angústia de castração. Em vista da vulnerabilidade real da genitália, ainda mais no tempo da primeira infância, há muito esquecido, os homens adultos se reafirmam temporariamente com o ato de exibicionista, que reforça a idéia de que ainda têm um pênis intacto. Hárnik também ajudou a explicar por que os casos de exibicionismo genital ocorrem tão raramente nas mulheres. Ele supôs que as mulheres, já que sentem vergonha por não terem um pênis, como Freud propusera, não querem exibir a genitália, pois assim mostrariam a vergonhosa inexistência dele. Além disso, Hárnik conclui que, embora a maioria das mulheres não exponha os genitais do mesmo modo que alguns homens pervertidos, elas exibem o corpo inteiro, preocupadas com o físico e a beleza, de modo que estão sempre à mostra. Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP - 2005 Estudos sobre o Exibicionismo VFreud notou que Podemos observar que despir-se tem um efeito quase excitante em muitas crianças, mesmo nos seus anos posteriores, em vez de fazê-las sentir-se envergonhadas. Elas riem, pulam e se dão palmadas, enquanto a mãe ou quem quer que esteja presente as reprova dizendo: "Ai, que escândalo" Vocês não devem fazer isso nunca!" As crianças manifestam freqüentemente o desejo de se exibir. É difícil passarmos por um vilarejo do interior, no nosso lado do mundo, sem encontrarmos uma criança de dois ou três anos levantando a camisinha à nossa frente - em nossa homenagem, talvez.
Assim, para Freud, a exibição constitui um parte importante do desenvolvimento infantil comum.
(...) Freud observou, porém, que em alguns indivíduos - aqueles que seriam classificados como pervertidos sexuais - a tendência infantil de se exibir persiste, e o indivíduo se transforma num exibicionista genital clínico.
(...) Freud reconheceu que os indivíduos com perversão sexual, inclusive os exibicionistas, apresentam sem rodeios os seus desejos libidinais, ao passo que os neuróticos mais reprimidos apenas fantasiam com os seus desejos pervertidos e evitam as formas grosseiras de exibição. Essa realidade clínica motivou a famosa máxima freudiana, de que "as neuroses são, por assim dizer, o negativo das perversões".
Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP - 2005 November 12 Ensaio sobre a liberdade - Stuart MillSe os cristãos ensinaram os infiéis a serem justos com o cristianismo, eles próprios deveriam ser justos com a infidelidade. Ensaio sobre a Liberdade - Stuart MillReconhecemos agora a necessidade para o bem-estar mental da humanidade (do qual depende todo o seu outro bem-estar) de liberdade de opinião, e liberdade de expressão de opinião, sobre quatro fundamentos distintos, os quais agora recapitularemos resumidamente. Primeiro, se qualquer opinião é compelida a silenciar, tal opinião pode, e nós certamente sabemos, ser verdade. negar isso é assumir nossa própria infalibilidade. Segundo , embora a opinião silenciada seja errônea, esta pode, e muito geralmente faz, conter uma parte da verdade; e uma vez que a opinião geral ou prevalecente sobre qualquer assunto será raramente, ou nunca, a verdade inteira, é apenas através do conflito de opiniões adversas que o resto da verdade tem alguma chance de ser fornecida. Terceiro, mesmo que a opinião admitida não seja apenas verdadeira, mas toda a verdade; a menos que sofra, e realmente sofre contestação vigorosa e séria, ela será pela maioria daqueles que a admitem, sustentada na forma de um preconceito, com pouca compreensão ou percepção de seus fundamentos racionais. E não apenas isso, mas em quarto lugar, o significado da doutrina em si se encontrará em perigo de perder-se ou enfraquecer-se, e destituir-se de seu efeito vital sobre o caráter e a conduta torna-se uma mera profissão formal, ineficaz para o bem, mas obstruindo o fundamento, e impedindo o crescimento de qualquer convicção real e sincera, a partir da razão ou experiência pessoal. Antes de abandonar o assunto de liberdade de opinião, seria adequado tomar conhecimento daqueles que dizem, que a expressão livre de todos as opiniões deveria ser permitida, sob a condição de que o modo seja moderado, e não passe dos limites da discussão honesta. Muito poderá ser dito sobre a impossibilidade de fixar onde estes supostos limites devam ser colocados; pois se o método é ofensa àqueles cujas opiniões são atacadas, acho que a experiência confirma que esta ofensa é dada sempre que o ataque é conhecido e poderoso, e que todo o oponente que os instiga, e há quem os instiga duramente, e há quem ache difícil responder, lhes parecerá, se ele mostrar qualquer sentimento forte sobre o assunto, um oponente intemperado. November 10 Estudos sobre o Exibicionismo IVO psiquiatra americano Frank Caprio e o advogado Donald Brenner publicaram esta carta de um exibicionista indiano desesperado por atendimento. Sou uma criatura infeliz que implora por sua ajuda. No dia-a-dia, sou um homem normal que trabalha (como balconista de banco) de um modo irrepreensível. Durante dois ou três meses tudo vai bem, mas então, de repente, sou atacado por uma espécie de angústia que me leva a gastar horas a fio andando sem rumo pelas rumas. Sei que isso está longe ser bom. Certa vez, quando senti a chegada de um ataque, refugiei num hospital psiquiátrico, pensando escapar do inevitável desse modo. Infelizmente, às noves horas da noite, o impulso foi muito forte para mim. Eu estava bem lúcido, mas aquele homem que subiu nas grades e pulou para o lado de fora não era eu. Fui impelido por uma força invisível a que não pude resistir. Sem fôlego, corri até a periferia da cidade. Lá, numa rua deserta, vi uma garota se aproximar ao longe. Escondi-me, e o resto eu sei pelo boletim da ocorrência policial. Assim que me vi mais perto dela, abri as calças, expus os meus genitais e comecei a me masturbar. Lembro-me vagamente de que os olhos muito abertos da menina e a sua expressão de terror me excitaram a tal ponto que ejaculei imediatamente. No mesmo instante eu me recompus e tentei fugir, mas caí nas mãos da polícia. Peço aos senhores que me digam se sou louco, se devia ser trancado num hospício, já que não posso ser responsável pelos meus atos. Peço aos senhores, também, que expliquem aos juízes que não sou depravado, como eles dizem, mas uma criatura infeliz que está sofrendo e foi castigada duramente pela natureza. Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP - 2005 Estudos sobre o Exibicionismo IIINuma amostra de 142 exibicionistas, Abel e Rouleau estimaram que esses homens tinham cometido 72.974 ofensas isoladas, o que indica que o exibicionista mediano se mostra, incrivelmente, para mais de 513 vítimas ao longo da vida! O psiquiatra forense Robert Bluglass estudou os acontecimento da infância de homens que mais tarde se tornara os mais perigosos do grupo de exibicionistas obscenos, ou seja, os que chegaram a ter contato físico com as vítimas. Ao rever o que os psiquiatras chamam de histórico "pré-mórbido" - isto é - o período anterior ao desenvolvimento de sintomatologia evidente -, a maioria dos que cometem outros atos de exibicionismo parece ter problemas evidentes na infância, e muitos deles foram levados a juizados de menores. Os futuros exibicionistas costumam ter um histórico profissional instável, assim como relações sexuais insatisfatórias com parceiros, e muitos deles tem condenações prévias por crimes sexuais.
Tratamentos realizados - Estímulo Aversivo Em 1977, o Dr. Ivor Jones e sua colega Dorothy Frey (Ambos de Melbourne, Austrália), publicaram um artigo sobre um tratamento muito incomum que teria levado à recuperação de 15 exibicionistas perigosos e reincidentes. Esses pesquisadores tentaram reverter o padrão de exibição genital pedindo a cada um tirasse toda a roupa diante de uma platéia de 5 a 12 profissionais do sexo masculino e feminino a um metro e meio de distância do exibicionista. Depois de despir-se inteiramente, pedia-se ao exibicionista que explicasse em detalhe o seu comportamento obsceno e também que apresentasse a sua opinião a respeito da vítima ou das vítimas. Depois de quatro sessões desse tipo, realizadas com intervalo de uma semana, o paciente era filmada em videoteipe e obrigado a ver a si mesmo despindo-se e comentando os seus crimes, na esperança de que isso mobilizasse a sua angústia com relação a eles.
Ian Wickramasekera (Faculdade de Medicina de Illinois de Chicago) aumentou o grau perante 5 pessoas, mas também a se masturbar. No período entre 8 meses e 7 anos foram acompanhados 23 pacientes que haviam completado de envergonhamento e, surpreendentemente, parece que, até onde o pesquisador podia saber, apenas um paciente reincidiu. Curiosidade Até psicanalistas renomados tiveram episódios de exibicionismo genital. Em novembro de 1980, o Dr. Heiz Kohut, psicanalista então com 67 anos e já doente, com peneumonia grave, mostrou o pênis para as enfermeiras do Hospital Billings da Universidade de Chicago. A enfermeira Eileen O´Shea recordou que toda a manhã Dr. Heiz levantavasse na cama, inteiramente nu, e se exibia.
Fonte Conceitos da Psicanálise – EXIBICIONISMO – Brett Kahr Editora Ediouro, São Paulo/SP - 2005 |
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