Juliana's profileFilosofia, Psicologia, P...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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February 27 Freud: Uma vida para o nosso tempo - Peter GayFreud e Nietzsche "Por isso deixei de lado o estudo de Nietzsche, embora - ou melhor, porque - estivesse claro que eu encontraria nele percepções muito semelhantes às psicanalíticas."
Sobre Charcot "Ele é um dos maiores médicos, um gênio e um homem sério, abala profundamente minhas idéias e intenções." "Se a semente algum dia vai dar frutos, não sei; o que sei com certeza é que nenhum outro ser humano jamais agiu sobre mim dessa forma." "O momento em que ele aparecia mais grandioso para seus ouvintes era depois de ter se esforçado, apresentando detalhadamente seu raciocínio com a maior franqueza sobre suas dúvidas e hesitações, em reduzir a distância entre professor e aluno". Como conferencistas e defensor, Freud, que explorava habilmente suas próprias incertezas, procederia da mesma forma. Charcot era muito mais que um ator. Ao mesmo tempo luminar da medicina e celebridade social, gozando de um prestígio sem par, ele havia diagnosticado a histeria como uma verdadeira enfermidade, ao invés do refúgio dos doentes imaginários. E mais, havia reconhecido que a histeria - ao contrário de todas as idéias tradicionais - aflige tanto os homens quanto as mulheres. E ainda mais ousado, Charcot resgatara a hipnose das mãos dos curandeiros e charlatões, para aplicá-la de modo conseqüente no tratamento de doenças mentais. Freud ficou assombrado e impressionado ao ver Charcot induzindo e curando paralisias histéricas através da sugestão hipnótica direta. E, sustentava Charcot, o estado hipnótico só pode ser provocado em histéricos. Mas uma escola rival em Nancy, inspirada por Ambroise Auguste Liébeault, um obscuro médico particular, e pelo seu ativo e prolífico seguidor Hippolyte Berbheim, acreditava outra linha: a hipnose é uma mera questão de sugestão; portanto quase todos devem ser suscetíveis a ela. Foi a principal lição que Charcot tinha a transmitir: a obediência submissa do cliente aos fatos não é a adversária, mas a fonte e a servidora da teoria. February 21 Freud: uma vida para o nosso tempo - Peter GayNome de registro Os nomes que seu pai registrou para ele na Bíblia da família, "Sigismund Schlomo", não sobreviveram à adolescência de Freud. Ele nunca usou "Schlomo", nome do avô paterno, e, depois de experimentar Sigmund, nos últimos anos de escola, adotou-o algum tempo após o ingresso na Universidade em Viena, em 1873. Vida escolar e graduação em Medicina (...) "fui o primeiro na classe durante sete anos, mantive uma posição privilegiada, quase nunca passei por exames".
"No entanto, as doutrinas de Darwin, então recorrentes, atraíram-me fortemente porque prometiam um extraordinário avanço em nossa compreensão do mundo; e sei que a leitura do belo ensaio ´Sobre a Natureza´de Goethe, numa conferência pública, pelo professor Carl Brühl pouco antes dos meus exames escolares finais, levou-me a estudar medicina". "Vou examinar os documentos milenares da natrueza, talvez me intrometa pessoalmente em seu eterno litígio e dividirei minhas vitórias com todos os que queiram aprender". Embora ele tivesse escolhido a medicina livremente, ele escreveu, em seu "Estudo Autobiográfico", que "não sentia nenhuma predileção especial pela posição e atividade de um médico naqueles primeiros anos, e aliás nem depois. Pelo contrário, eu era movido por uma espécie de ânsia por conhecimento". Sem dúvida, Freud achava essencial manter frouxas as rédeas de sua imaginação científica, principalmente durante os anos de descobertas. Freud ainda pensava em em "obter um doutorado nas áreas de filosofia e zoologia". (...) quando era um escolar de dez anos, já havia demonstrado energicamente inclinações humanitárias, implorando aos professores que organizassem uma campanha para enviar ataduras às tropas austríacas feridas na guerra contra a Prússia. (...) o pensador que leu com maior proveito tenha sido Ludwing Feuerbach. "Entre todos os filósofos, informou a Silberstein em 1875, "é este homem que mais venero e admiro". Feuerbach era compatível com Freud ainda sob outro aspecto: era quase tão crítico em relação à maior parte da filosofia como quanto à teologia. (...) De fato, ele reconheceu (ou melhor, avisou), à semelhança do que Freud viria a fazer mais tarde, que não tinha talento para o filosófico formal, o sistemático, o metodológico-encicoplédico. (...), Freud nunca se tornou um teísta, no fundo era como informou ao amigo no final de 1874 "um estudante de medicina ateu e um empirista". (...) não frequentava muito os cafés e raramente ia à ópera. Mas de bom grado subscreveria a apresentação da faculdade de medicina de Viena como um corpo de homens ilustres com reputação internacional. O primeiro trabalho de Freud depois de graduado em medicina (...) verificar a recente afirmação de um pesquisador polonês, Simone de Syrski, de que havia observado gônadas em enguias.
(...) Os primeiros esforços de Freud foram baldados. "Todas as enguias que abri", confiou a Silberstein, "são do sexo mais frágil". A noiva Martha Bernays tinha prestígio social, mas não dinheiro. Durante o noivado a virgindade dela se manteve intacta. Numa carta, justificou seu vício pelos charutos, atribuindo-o à ausência dela: "Fumar é indispensável se não se tem nada para beijar". O casal ficou separado por três anos, dos quatros anos e meio decorridos entre o primeiro encontro e o casamento. Mas eles se escreviam praticamente todos os dias. Quarenta anos mais tarde, Freud analisaria o ciúme leve como um "estado afetivo", semelhante à tristeza, que se pode muito bem considerar "normal"; sua ausência marcada, pensava ele, é necessariamente um sintoma de profunda repressão. Mas o ciúme de Freud ia além do compreensível ressentimento que um amante pode sentir contra seus rivais. Para ele, Martha Bernays não devia tratar familiarmente um primo pelo primeiro nome, mas devia empregar formalmente seu sobrenome. Não devia mostrar uma predileção tão visível por dois de seus admiradores, um deles compositor e o outro pintor: como artistas, escreveu Freud mal-humorado, eles tinham uma vantagem unjusta sobre um simples cientista como ele. E, sobretudo, ela devia abandonar todos os outros. Mas esses outros invasores incluíam sua mãe e seu irmão Eli (...) February 15 Por um fio - Dráuzio VarellaNo começo da carreira imaginei que, se ficasse atento às reações dos que vivem seus momentos finais, eu compreenderia melhor “o sentido da vida”. Com o tempo percebi a ingenuidade de tal expectativa: supor que, por imitação ou aprendizado, seja possível encarar com serenidade a contradição entre a vida e a minha é pretensão descabida.
Será possível na juventude compreender o que sente um senhor de 80 anos ao perceber que não saíra vivo no hospital? O sofrimento de uma mulher perder o companheiro de quarenta anos de convivência harmoniosa pose ser imaginado por alguém de trinta?
Imaginar a morte como um fardo prestes a desabar sobre nosso destino é insuportável. Conviver com a impressão de que ela nos espreita é tão angustiante que organizamos a rotina diária como se fôssemos imortais e, ainda criamos teorias fantásticas para nos convencer de que a vida é eterna. “Por que comigo?” foi a indagação que mais ouvi de quem recebe o diagnóstico de uma enfermidade fatal. Nada transforma tanto o homem quanto a constatação de que seu fim pode estar perto. O diagnóstico de uma doença fatal é um divisor de águas que altera radicalmente o significado do que nos cerca: relações afetivas, desejos, objetos, fantasias, e mesmo a paisagem. O apego à vida é uma força selecionada impiedosamente pela natureza nas milhares de gerações que nos precederam; os desapegados levaram desvantagem reprodutiva. Nos pacientes com câncer, a morte adquiria outra fisionomia. Se morrer era o evento mais infeliz da existência, como evitar considerá-las dignas de compaixão? Com a piedade pela sorte do outro como pano de fundo, entretanto, como incutir nele otimismo, vontade de lutar ou crença no futuro? Como conviver intimamente com a infelicidade alheia, sem me tornar um homem amargurado ou insensível? A chegada da morte nem sempre tem o significado de desgraça. Não há quem discorde quando essa afirmativa é aplicada a pessoas decrépitas, aos que enfrentam graves padecimentos físicos, dores incontroláveis, ou àqueles que perderam o domínio das faculdades mentais. Fora de tais situações, no entanto, associamos esse momento à tragédia, à tristeza profunda e ao desconsolo. Ao dar a notícia da existência de uma doença ameaçadora, testemunhei as mais desencontradas reações: da revolta expressa à surpresa atônita, ao mutismo e à aceitação passiva; do choro convulsivo ao riso espástico. Durante muitos anos me deixei contaminar de tal forma pelas reações dos doentes no contato inicial com a adversidade suprema, que me sentia imobilizado emocionalmente, incapaz de dar-lhes o que esperariam de um médico nessa hora. O desespero que eu imagina dominá-lo reverberava dentro de mim tão descontroladamente, que era preciso lutar comigo mesmo par anão abreviar a conversa e sair de perto. No entanto, não era raro o doente voltar no dia seguinte num estado de espírito oposto ao do dia anterior, esperançoso, decidido a lutar contra a ameaça que o assustara tanto. Uma das coisas que aprendi com a maturidade profissional foi não me deixar paralisar pela angústia que o contato com a dor do outro provoca. Para ajudar quem está amedrontado pela possibilidade de perder algo tão valioso como a própria vida, o pior interlocutor que pode existir é alguém condoído a ponto de entrar em pânico. A esse respeito, valeu-me o conselho de um médico mais velho: _ Vocês moços, não podem ver lágrimas nos olhos dos doentes. Dão as piores notícias e querem vê-los reagir com alegria, como se nada houvesse. Deixa chorar, que mal existe? O choro é uma reação exclusiva do cérebro humano, fundamental para descarregar tensões emocionais, acalmar e trazer sabedoria ao espírito para aceitar a realidade. Quando um médico detecta um indício de que a doença se agravou, antes que o doente suspeite, experimenta uma solidão extrema. Qual o melhor caminho para explicar o que está acontecendo? Nessas discussões a quatro, aprendemos muito sobre a função do médico moderno, a quem, ao contrário do que ocorria com os antigo, cabe não ao papel de dar ordens e impor condutas prescritas em letra ilegível, mas apresentar à pessoa doente o leque de alternativas disponíveis e as prováveis conseqüências de cada escolha, para ajudá-la a selecionar a que melhor atenda a seus interesses. No Hospital do Câncer em São Paulo fui médico de uma senhora italiana, casada com um pedreiro português aposentado que não saía do lado dela. No dia em que a esposa faleceu encontrei-o na portaria do hospital para entregar-lhe o atestado de óbito, e o convidei para tomar café, com a intenção de confortá-lo. Quando perguntei como organizaria a vida sozinho, uma vez que não tinham filhos, respondeu:
_ Tenho que ir em frente. _ De que jeito ? _ Doutor, meu avô dizia que viver é como percorrer um caminho num desfiladeiro de onde partem tiros disparados a esmo. As balas podem acertar qualquer um, mas derrubam com mais freqüência os velhos, as crianças pequenas e os debilitados. Quando um corpo cai, alvejado, os outros são obrigados a se desviar e a continuar em frente, mesmo sem saber aonde o caminho nos levará. _ Vá com Deus, doutor. Seja abençoada a sua profissão, que Deus criou para aliviar o sofrimento da gente. Por vergonhoso que possa parecer, dez anos depois e formado, nunca me havia ocorrido refletir sobre a finalidade da minha profissão. Para que serve a medicina? Se me perguntassem, provavelmente teria respondido ingenuamente para curar pessoas, ignorando diabetes, hipertensão, reumatismo, os derrames cerebrais e tantas enfermidades crônicas. Pior, sem levar em conta sequer os doentes incuráveis que me procuravam. Fiquei com tanta raiva de mim mesmo de todos os médicos onipotentes, que se atribuíam o papel exclusivo de salvadores de vidas, pretensão equivocada da razão de existirmos como profissionais, justamente como havia acabado de lembrar com tanta simplicidade aquela senhora.
Tive vontade de percorrer as faculdades de medicina para dizer aos alunos, no primeiro dia de aula, o que nunca ouvira de meus professores: na medicina, curar é objetivo secundário, se tanto. A finalidade primordial de nossa profissão é aliviar o sofrimento humano. Haver entendido o papel do médico me ajudou muito na resolução do dilema da disputa dos leitos entre os casos avançados, incuráveis, e os casos de portadores de tumores passíveis de ressecção.
A alegria de curar alguém de uma enfermidade potencialmente fatal é incomparável. Em nosso imaginário, salvar a vida do próximo à custa de uma intervenção pessoal tem o significado de um ato heróico, de uma ação altruísta que nos reforça a auto-estima e a vaidade. A felicidade ao ouvir alguém dizer que se curou em nossas mãos é tanto mais completa quanto maior a gravidade do caso, mais competência tivermos demostrado em sua condução e maior o envolvimento emocional com aquele doente. A sensação transmitida pelo brilho no olhar de uma pessoa encontrada em ao acaso que nos diz ter sido curada por nós, só pode ser compartilhada integralmente com quem já viveu essa experiência. Talvez seja essa a razão médicos, gostamos tanto de contar uns para os outros as histórias de nossos pacientes.
Realmente, só quem teve o privilégio de acompanhar um paciente em tais circunstâncias (morte) pode fazer idéia do significado dessa vontade de rir. Não é à toa que a arte de curar atrai tantos jovens para a profissão e monopoliza o interesse da maioria dos médicos. Mas perseguir a cura a qualquer custo, como objetivo único, não é necessariamente uma característica do bom profissional, porque pode implicar o desinteresse pelos que não serão curados e justificar a adoção de atitudes prepotentes para induzir as pessoas a se submeterem a tratamentos contrários a suas necessidades individuais, podendo mesmo levar o médico a ceder à tentação de satisfazer suas vaidades, desejos de ascensão social e delírios de grandeza.
Embora a arte de curar exija conhecimento técnico acurado, sensibilidade humana para auxiliar o doente na escolha do tratamento mais adequado, e carisma para transmitir-lhe esperança e coragem para enfrentar as adversidades que se apresentarem, tratar de alguém com uma doença curável é muito mais fácil que tratar do incuráveis. Para curar, muitas vezes a técnica basta; mas, para conseguir que um doente viva o máximo de tempo com a menor carga de dor e encontre a morte com tranqüilidade, é preciso muito mais. A tarefa demanda não só conhecimento científico, mas a compreensão da alma humana em profundidade apenas acessível aos que se dedicam com empenho ao penoso processo de aprendizado que o contato repetido com a morte traz.
Tratar alguém de antemão sabemos dispor de pouco tempo de vida tem características muito peculiares: a estratégia precisa ser cuidadosamente planejada, levando em conta riscos, benefícios e as expectativas daquela pessoa em particular, para que não seja desperdiçado nenhum dia com efeitos indesejáveis impostos por medidas prescritas com a finalidade teórica de melhorar sua saúde. Enquanto os doente curáveis disporão de anos para se recuperar das conseqüências deletérias do tratamento, os incuráveis não podem se dar luxo de malbaratar uma hora sequer; esperam nossa ajuda para conseguir a melhor qualidade de vida que puderem ter, e para viver o maior tempo possível.
Decidir a cada momento o caminho ideal para atender a esses dois interesses é a tarefa mais complexa da medicina.
Uma vez perguntei ao Fernando se podíamos fazer alguma coisa para ajudá-la a livrar-se daquela tristeza. Ele duvidou que fosse possível:
_ A doença não muda a personalidade de ninguém, apenas ressalta os traços característicos de cada um. Muitas vezes, nós, médicos, insistimos em prolongar a vida de pacientes em fase terminal da evolução de sua doença que melhor estariam se os deixássemos em paz, medicados apenas para controlar os sintomas. Mesmo sem fazer defesa dos erros que cometemos nesses casos, por avaliações equivocadas, falta de sensibilidade, ignorância ou desatenção, é importante ressaltar que nem sempre é fácil identificar o momento adequado para cruzar os braços diante do doente que piora, porque o organismo humano é capaz das reações mais imprevisíveis.
Hipócrates ensinava a seus alunos que um médico adquire fama graças á capacidade de fazer prognósticos, muito mais do que à de fazer diagnósticos. Tinha razão: o que interessa para o mais comum dos mortais simplesmente receber o diagnóstico, de por exemplo, doença de Alzheimer? O que mais ele deseja saber é o seu prognóstico: quantos anos ainda poderá trabalhar? Perderá a memória? Chegará a ficar impossibilitado de reconhecer os filhos?
Quanto mais estudioso for o médico, mais pacientes tiver acompanhado, mais atento estiver à diversidade das reações físicas e às singularidades da alguma humana – noutras palavras, quanto mais experiente for -, mais acertadas serão suas previsões sobre a evolução daquela patologia em determinada pessoa. A angústia causada pela impossibilidade de comprovar por meios racionais se existe vida depois da morte acompanha a humanidade desde seus primórdios. Imaginar que nos transformaremos em pó e que capacidades cognitivas adquiridas com tanto sacrifício se perderão irreversivelmente é a mais dolorosa das especulações existenciais. Tamanho interesse no destino posterior à morte, entretanto, contrasta com a falta de curiosidade em sabe de onde viemos? O que éramos antes de o espermatozóide encontrar o óvulo no instante da nossa concepção.
Aceitamos com naturalidade o fato de inexistir antes de evento inicial, em contradição com dificuldade em admitir a volta à mesma condição no final do caminho.
Como não existíamos (portanto, não fomos consultados para vir o mundo), consideramos a vida uma dádiva da natureza, e nosso corpo, uma entidade construída à imagem e semelhança de Deus, exclusivamente para nos trazer felicidade, atender aos nossos caprichos e nos proporcionar prazer.
Essa visão egocentrada de quem “não pediu pra nascer” faz de nós seres exigentes, revoltados, queixosos, permanentemente insatisfeitos com os limites impostos pelo corpo e com as imperfeições inerentes à condição humana. Assim, acordamos todas as manhãs com tal expectativa de plenitude e de funcionamento harmonioso do organismo que o desconforto físico mais insignificante, a mais banal das contrariedades, são suficientes para causar amargura, crises de irritação, explosões de agressividade e depressão psicológica, não importa que privilégios o destino tenha nos concedido até a véspera ou venha a nos conceder naquele dia. Ao contrário da dificuldade em nos livrarmos desses estados emocionais negativos que nos consomem parte substancial da existência, as sensações de felicidades geralmente são fugazes, varridas do nosso espírito à primeira lembrança desagradável. Seria lógico esperar, então que o aparecimento de uma doença grave, eventualmente legal, desestruturasse a personalidade, levasse ao desespero, destruísse a esperança, inviabilizasse qualquer alegria futura. Mas não é isso que costuma acontecer vencida a revolta do primeiro choque e as aflições da fase inicial, associadas ao medo do desconhecido, paradoxalmente a maioria dos doentes com câncer ou AIDS que acompanhei conta haver conseguido reagir e descoberto prazeres insuspeitados na rotina diária, laços afetivos que de outra forma não seriam identificados ou renovados, serenidade para enfrentar os contratempos, sabedoria para aceitar o que não pode ser mudado. Não me refiro exclusivamente aos que foram curados, mas também aos que tomaram consciência da incurabilidade de suas doenças. Naqueles, é mais fácil aceitar que o fato de ter sobrevivido à ameaça de perder o bem mais precioso e de ser forçado a lutar para preservá-la confira à vida uma valor antes subestimado. Quanto aos que sentem a aproximação inevitável do fim, no entanto, soa estranho ouvi-los confessar que encontraram paz e se tornaram pessoas mais relaxadas, harmoniosas, admiradoras da natureza, amistosas, agradecidas pelos pequenos prazeres, e até mais felizes.
Custei a aceitar a constatação de que muitos de meus paciente encontravam novos significado para a existência ao senti-la esvair-se, a ponto de adquirirem mais sabedoria e viverem mais felizes que antes, mas essa descoberta transformou minha vida pessoal: será que com esforço não consigo aprender a pensar e a agir como eles enquanto tenho saúde? KamasutraO dono da casa, havendo-se levantado pela manhã e cumprido seus deveres necessários (1), deve lavar os dentes, passar uma certa quantidade de óleos e perfumes no corpo, colocar alguns ornamentos sobre sua pessoa e colírio nas pestanas e abaixo dos olhos, pintar os lábios com alacktaka (2) e olhar-se no espelho. Depois, havendo comido folhas de bétel, com outras coisas que dão fragrância à boca, untar o corpo com óleo dia sim, dia não, aplicar uma substância espumosa (3) ao corpo de dois em dois dias, ter cabeça (inclusive o rosto) raspada de três em três dias e as outras partes do corpo a cada cinco ou dez dias (4).
(1) As exigências da de laca. (3) Isso substituía o natureza são sempre satisfeitas pelos hindus como a primeira obrigação da manhã. (2) Uma pintura feita sabão, que só foi introduzido sob o domínio dos maometanos. (4) Permitem-se dez dias quando os cabelos foram arrancados com um par de pinças.
As seguintes são as mulheres que não devem ser desfrutadas:
. A leprosa; . A louca; . A mulher expulsa de sua casta; . A mulher que revela segredos; . A mulher que publicamente expressa o seu desejo de intercurso sexual; . A mulher extremamente branca; . A mulher extremamente preta; . A mulher que cheira mal; . Uma parenta próxima; . A mulher que leva a vida ascética; E finalmente, a mulher de um parente, de um amigo, letrado Brâmane e do rei.
Os seguidores de Bahravya dizem que qualquer mulher que tenha sido desfrutada por cinco homens é própria e adequada a ser desfrutada. February 05 Amyr Klink"Dias de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo. Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mal tempo. A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso antes de mais nada, querer." "A forma mais terrível de naufrágio e não partir."
"O mar não é um obstáculo, é um caminho." February 04 Eduardo Galeano"Estou lendo um romance de Louise Erdrich. A certa altura, um bisavô encontra seu bisneto. O bisavô está completamente lelé (seus pensamentos têm a cor de água) e sorri com o mesmo beatífico sorriso de seu bisneto recém nascido. O bisavô é feliz porque perdeu a memória que tinha. O bisneto é feliz porque não tem, ainda, nenhuma memória. Eis aqui, penso, a felicidade perfeita. Não a quero." "Na América Latina, a liberdade de expressão consiste no direito ao resmungo em algum rádio ou em jornais de escassa circulação. Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem." |
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