Juliana's profileFilosofia, Psicologia, P...PhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    March 23

    José Ortega y Gasset (filósofo espanhol)


    Esta é a primeira consequência que sobrevém quando no mundo alguém deixa de mandar: que os demais, ao se rebelarem, ficam sem tarefa, sem programa de vida. 
    Trecho retirado do livro "A rebelião das massas".

    A liberdade do espírito, ou seja, a potência do intelecto se mede por sua capacidade de dissociar idéias tradicionalmente inseparáveis.
    Trecho retirado do livro "A rebelião das massas".
     
    Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim.
    Trecho retirado do livro "Meditações do Quixote"

    Quem, em nome da liberdade, renuncia a ser aquilo que devia ser, já se matou em vida: é um suicida de pé. A sua existência consistirá numa perpétua fuga da única realidade que era possível.
    Trecho retirado do livro "A rebelião das massas".

    Sem missão não há homem.
    Trecho retirado do livro "O livro das missões".


    Desconfio do respeito de um homem com seu amigo ou sua bandeira quando não o vejo respeitar o inimigo ou a bandeira deste.

    A separação dos amantes - Café Filosófico


    Poucos temas despertam tanto o interesse dos artistas e do público quanto a paixão amorosa. Clássicos da literatura e do teatro, como "Romeu e Julieta", comovem as pessoas há séculos ao apresentarem o drama do casal de apaixonados. Flávio Gikovate (www.flaviogikovate.com.br) fala sobre o amor, a diferença entre amor e sexo, e sobre os impedimentos internos e externos que separam os casais. É possível ser civilizado e terminar um amor sem mentira, sem baixeza? Pode haver ética no fim de um relacionamento amoroso? Para Flávio Gikovate, o que leva à separação dos amantes é algo que está dentro de nós e está relacionado às nossas primeiras experiências afetivas. Palestra proferida no Café Filosófico, em 17/9/2004.
     
    Assista ao vídeo.
     
     
     
    March 18

    Freud: Uma vida para o nosso tempo - Peter Gay


    No universo psíquico nada é acidental
    Um ponto fundamental na teoria de Freud é que não existe nada acidental no universo mental.

    Os substratos fisiológicos e biológicos da mente
    Os substratos fisiológicos e biológicos da mente nunca perderam sua importância para Freud, mas por várias décadas recuaram para um segundo plano, enquanto ele explorava os domínios do inconsciente e suas manifestações no pensamento e na ação - lapsos, chistes, sintomas, defesas e, a mais intrigante de todas, sonhos.

    "O homem com todas as suas contradições"
    Ele reconhecia o domínio da ambivalência - a tensa coexistência do amor e do ódio - sobre a mente humana. Alguns dos seus primeiros pacientes haviam lhe ensinado que os seres humanos podem saber e não saber ao mesmo tempo, entender intelectualmente o que emocionalmente se recusam a aceitar. Uma maior experiência psicanalítica ofereceria um irrefutável apoio clínico à observação de Shakespeare de que o desejo é o pai do pensamento.

    Sobre o amigo e depois "inimigo" Fliess

    . (...) assim preenchia o modelo do perfeito ouvinte de Freud era, em parte, invenção do próprio Freud.
    . Freud disse claramente a vários de seus discípulos mais próximos que sua ligação com Fliess contivera um elemento homossexual.
    . Fliess atacou Freud com a alegação de que o "leitor de pensamentos lê nos outros apenas seus próprios pensamentos".
    . Reconhecia que não seria capaz de executar plenamente o trabalho sem um público, mas declarava-se satisfeito com um público de uma pessoa, contente, disse a Fliess, por estar "escrevendo apenas para você".
    . (...) dois brigaram violentamente. Cada qual atacou o outro em seu ponto mais sensível, mais furiosamente defendido: o valor, a própria validade de suas respectivas obras.

    O analista
    O analista, embora seja em larga medida um parceiro silencioso, oferece interpretações que o analisando provavelmente não teria alcançado sozinho.

    A auto-análise de Freud
    . O método que Freud empregava em sua auto-análise era o da associação livre, e o principal material em que se baseava era oferecido pelos seus sonhos.
    . (...) considerava tudo isso não só infinitamente difícil, mas também extremamente desagradável; quase todos os dias, a auto-análise trazia à tona desejos maus e atos vergonhosos. Ainda assim, estava animado ao perder, uma depois da outra, as ilusões obre si mesmo.
    . Chegou mesmo a encontrar uma explicação psicológica para o vício: era a sublimação da masturbação - uma idéia de particular pertinência em seu caso, com sua irreprimível necessidade de charutos.
    . Freud descobriu em sua auto-análise que vencer as batalhas edipianas pessoais é tão perigoso quanto perdê-las.
     
    A intepretação dos sonhos
    . O livro Interpretação dos Sonhos (...) Freud o considerava como a chave de sua obra. "A interpretação dos sonhos", disse enfaticamente, "é a via régia de acesso ao conhecimento do inconsciente na vida mental".
    . (...) ele recomendava o método catártico de Breuer, conforme fora refinado e modificado pela sua própria prática: o sonhador deve empregar a associação livre, renunciando à sua costumeira crítica racional aos meandros mentais, para reconhecer o sonho pelo que ele é - um sintoma.
    Freud declarava ter interpretado mais de mil sonhos seus e de seus analisandos com o uso de tal técnica. Disso extraíra uma lei geral: "O sonho é uma realização dos desejos".
    . Um sonho alimenta-se invariavelmente de materiais recentes, mas, com a interpretação, ele leva a um passado mais distante;. por mais bizarro ou delicado que seja o enredo lembrado, ele aponta para questões de importância fundamental para quem sonha. "Não existem", concluiu Freud incisivamente, num tom um pouco ameaçador, "instigadores oníricos indiferentes; portanto, tampouco existem sonhos inocentes".
    . Qualquer sonho que tomo em mãos, meu ou de outro,  a cada vez confirma essa experiência". Esses "restos diurnos", como ele os chamava, freqüentemente proporcionavam o acesso mais fácil à interpretação de um sonho.
    . (...), no entanto, em praticamente todos os casos, o sonho, em última análise, retira seus componentes essenciais dos dias de infância de quem sonha.
    . Os principais instrumentos na caixa de ferramentas do trabalho do sonho são a condensação, o deslocamento, e o que Freud chamou de "preocupação com a representabilidade". Eles não são exclusivos dos sonhos, mas podem ser detectados na formação dos sintomas neuróticos, lapsos lingüísticos e chistes.
    . Enquanto a condensação não precisa envolver a censura, o trabalho de deslocamento é o local por excelência desta. A censura atua inicialmente para reduzir a intensidade das paixões que ardem para se expressar, e a seguir para transformá-las. Assim, o deslocamento permite que essas paixões, por mais mutiladas que muitas vezes apareçam em seu disfarce público, escapem à resistência mobilizada pela censura.
    . (...) Freud nunca hesitou em afirmar que, na base de todos os sonhos, existe um desejo infantil e, ao mesmo tempo, aqueilo que a sociedade respeitável provavelmente chamaria de indecente.

    Freud e a filosofia
    Freud dava à “filosofia” um sentido especial. Ao verdadeiro estilo do Iluminismo, ele investia contra o filosofar dos metafísicos, vendo aí abstrações inúteis, Era igualmente avesso aos filósofos para quem o âmbito da mente limitava-se à consciência. A filosofia dele era o empirismo científico, encarnado numa teoria científica da mente.


    Saúde mental no século XIX
    . (...) praticamente todos os outros neurologistas, psiquiatras e encarregados de manicômios operavam a partir do pressuposto de que o impacto do corpo sobre a mente é muito mais significativo do que o da mente sobre o corpo.
    . Ao longo do século XIX, a ciência da psicologia havia feito progressos impressionantes, com avanços assombrosos. Mas usa posição paradoxal: havia se emancipado da filosofia, como outra da teologia, apenas para aceitar o abraço imperioso de um novo mestre – a fisiologia.
    . Como muitos outros observadores contemporâneos, ele estava convencido de que a civilização urbana, burguesa e industrial da época contribuía de maneira acentuada para o nervosismo que, julgava ele, encontrava-se em visível ascensão. Mas enquanto os outros consideravam a civilização moderna responsável pelo nervosismo, em função da pressa, da azáfama, das comunicações rápidas e da sobrecarga do mecanismo mental decorrentes, Freud responsabilizava-a antes por restringir excessivamente o comportamento sexual.

    A verdade por trás dos “lapsos”.
    Errar um nome familiar, esquecer um poema favorito, perder um objeto, deixar de enviar à esposa o costumeiro buquê de flores pelo seu aniversário – são mensagens que praticamente imploram para serem decodificadas. São pistas para desejos ou angústias que o indivíduo não tem a liberdade de reconhecer sequer para si mesmo.
     
    Inconsciente, Repressão, resistências - O homem e a cultura
    Sua teoria da repressão é a “pedra fundamental para a compreensão das neuroses.” – e não só delas. A maior parte do inconsciente consiste de materiais reprimidos. Esse inconsciente, como foi definido por Freud, não é o segmento da mente que abriga pensamentos temporariamente fora de vista, facilmente evocados: este é o que ele chamou de pré-consciente. Pelo contrário o inconsciente propriamente dito se assemelha a uma prisão de máxima segurança com reclusos anti-sociais, definhando há anos  ou recém-chegados, tratados com rigor e fortemente vigiados, mas dificilmente controlados e sempre tentando fugir. Suas fugas apenas têm êxito de modo intermitente, e a alto preço para si e para os outros. Portanto, o psicanalista que trabalha para desfazer, pelo menos e em parte, as repressões deve necessariamente reconhecer os graves riscos aí postos e respeitar o poder explosivo do inconsciente dinâmico.
    Visto que são tremendos os obstáculos colocados pelas resistências, é no mínimo difícil de tornar consciente o inconsciente. Ao desejo de lembrar contrapõe-se o desejo de esquecer. Esse conflito, embutido na estrutura do desenvolvimento mental praticamente desde o nascimento, é obra da cultura, quer opere externamente como polícia ou internamente como consciência. Temeroso de paixões desenfreadas,  o mundo considerou necessário, durante toda a história de que se tem registro, rotular os mais insistentes impulsos humanos de mal-educados, imorais, ímpios. Desde a publicação de livros de etiqueta à proibição da nudez nas praias, da prescrição da obediência aos superiores à pregação do tabu do incesto, a cultura canaliza, limita e frustra o desejo. A pulsão sexual, como  as outras pulsões primitivas, luta incansavelmente pela gratificação frente a proibições restritivas, muitas vezes excessivas. O auto-engano e a hipocrisia, que trocam as verdadeiras pelas boas razões, são os companheiros conscientes da repressão, negando necessidades apaixonadas em nome da concórdia familiar, da harmonia social ou da simples respeitabilidade. Negam essas necessidades, mas não podem destruí-las. Freud gostava da passagem de Nietzsche citada por um de seus pacientes prediletos, o Homem dos Ratos; “ ´Fiz isso´ diz minha Memória. ´Não posso ter feito isso´diz meu Orgulho, e mantém-se inexorável.  No final – a Memória se rende”.  O orgulho é o braço coercitivo da cultura, a memória é o relato sobre o desejo em pensamento e ação. Pode ser que o orgulho ganhe, mas o desejo continua  a ser a qualidade mais exigente da humanidade. Isso nos reconduz aos sonhos; eles demonstram à exaustão que o homem é o animal desejante. É disso que trata A Interpretação dos Sonhos: os desejos e o seu destino.
    March 11

    Fernando Pessoa

     
    A abelha

    A abelha que, voando, freme sobre
    A colorida flor, e pousa, quase
    Sem diferença dela
    À vista que não olha,

    Não mudou desde Cecrops. 
    Só quem vive uma vida com ser que se conhece
    Envelhece, distinto 
    Da espécie de que vive.
    Ela é a mesma que outra que não ela.
    Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —
    Mortalmente compramos
    Ter mais vida que a vida.




    Depois que todos foram 

    Depois que todos foram
    E foi também o dia,
    Ficaram entre as sombras
    Das áleas do ermo parque

    Eu e minha agonia.
    A festa fora alheia
    E depois que acabou
    Ficaram entre as sombras
    Das áleas apertadas
    Quem eu fui e quem sou.
    Tudo fora por todos.
    Brincaram, mas enfim
    Ficaram entre as  sombras
    Das áleas apertadas
    Só eu, e eu sem mim.
    Talvez que no parque antigo
    A festa volte a ser.
    Ficaram entre as sombras
    Das áleas apertadas
    Eu e quem sei não  ser. 
    March 09

    Freud: Uma vida para o nosso tempo - Peter Gay


    A família girava em torno de Freud.
    Não deixa de ter interesse que ele tenha sido o único a dar os nomes aos seis filhos do casal - a partir dos nomes dos amigos dele, dos mentores dele.

    Eletroterapia
    Julgava o tratamento convencional da neurastenia - a eletroterapia, que também experimentou em seus pacientes - muito mais insatisfatório do que a própria hipnose, e no começo de 1890 "abandonei o aparato elétrico" com evidente suspiro de alívio.

    A sexualidade saudável
    A sexualidade saudável, sustentava ele, exige a prevenção de doenças venéreas e, como alternativa a masturbação, "o intercurso sexual livre" entre rapazes e moças solteiras.

    Dr. Breuer, o pai da psicanálise
    Embora os Estudos sobre a Histeria tenham sido publicados apenas em 1895 o primeiro caso discutido no livro, o histórico encontro de Breuer e Anna O. remonta a 1880. Ele figura como o caso fundador da psicanálise: levou Freud, mais de uma vez, a atribuir a paternidade desta a Breuer, ao invés de si próprio.
     
    Nome verdadeiro da Anna O.
    A conversa dos dois colegas se tornou cada vez mais pessoal, conforme discutiam "novamente" sobre Bertha Pappenheim (...). Era a paciente a quem Breuer imortalizaria sob o pseudônimo Anna O.

    Porque Freud deixou a hipnose
    (...) alguns pacientes não era hipnotizáveis, e a fala sem censuras pareceu a Freud um meio de investigação muito superior.

    Resistências durante a análise
    Lucy R. deixou claro a Freud que os seres humanos são extremamente relutantes em suspender o senso crítico; tentem a rejeitar suas associações sob o pretexto de serem triviais, irracionais, repetitivas, impertinentes ou obscena.
    (...) considerava o autodesvendamento doloroso e, ao mesmo tempo, necessário.
     
    March 06

    Freud: Uma vida para o nosso tempo - Peter Gay

     
    Começo da carreira
    (...) seis semanas depois de noivar com Martha Bernays, ele entrou para o Hospital Geral de Viena. Ficou lá por três anos, experimentando uma série de especialidades médicas ao mudar de um departamento para outro - cirurgia, medicina de doenças internar, psiquiatria, dermatologia, doenças nervosas e oftalmologia, sucessivamente.
     
    A mulher deve trabalhar fora?
    Julgava Freud, educar os filhos constituem uma ocupação de tempo integral que praticamente impede um emprego da mulher fora de casa.
     
    Cocaína
    O próprio Freud começou a tomar a droga como um estimulante para controlar seus estados depressivos intermitentes, aumentar a sensação geral de bem-estar, ajudá-lo a relaxar em encontros sociais tensos e simplesmente fazê-lo se sentir mais homem.

    (...) outros médicos descobriram que a droga, injetada subcutaneamente, podia acarretar os piores efeitos colaterais.

    A principal lição que Charcot lhe ensinou
    Foi a principal lição que Charcot tinha a transmitir: a obediência submissa do cliente aos fatos não é a adversária, mas a fonte e a servidora da teoria.
     
    Sobre a mulher
    Concluía ele " a natureza" destinou a mulher, "através da beleza", do encanto, da doçura e de algo mais.
     
    Primeira filha
    "Ela pesa três quilos e quatrocentos gramas", "o que é muito respeitável, é tremendamente feia, desde o primeiro momento tem chupado a mão direita, quanto ao mais parece muito bem-humorada e se comporta como se estivesse realmente à vontade"
    March 02

    Três ensaios sobre a sexualidade - Freud


    A psicanálise elimina os sintomas dos histéricos partindo da premissa que tais sintomas são um substituto - uma transcrição, por assim dizer - de uma séria de processos, desejos e aspirações investido de afetos aos quais, mediante um processo psíquico especial (o recalcamento), nega-se a descarga através de uma atividade psíquica passível de consciência. Assim, essas formações de pensamento que foram retidas num estado de inconsciência aspiram a uma expressão apropriada a seu valor afetivo, a uma descarga, e, no caso da histeria, encontram-na mediante o processo de conversão dos fenômenos somáticos - justamente os sintomas histéricos. Pela retransformação sistemática (com ajuda de uma técnica especial) dos sintomas em representações investidas de afeto já agora conscientizadas, fica-se em condições de averiguar com a máxima precisão a natureza e a origem dessas formações psíquicas antes inconscientes.

    Freud: uma vida para nosso tempo - Peter Gay


    Falta de dinheiro no começo da carreira
    A falta de dinheiro era penosa; ele confessou que houve momento em que não podia tomar um coche de aluguel para atender chamados a domicílio.

    Um lado autoritário
    "uma das experiências mais desconcertantes de sua vida foi quando não lhe foi permitido ascender as luzes do sabá na noite da primeira sexta-feira do meu casamento". Sobre questões tão importantes como o estilo religioso - ou melhor, irreligioso - de seu lar, Freud impunha inflexivelmente sua autoridade.

    Esposa feia ?
    Freud lhe dissera sinceramente que ela não era de fato bonita, no sentido literal, mas que sua aparência a distinguia como uma pessoa generosa e sensata. Depois de casada, pouco tempo dedicou a cuidar de qualquer beleza que tivesse.

    Freud se sentia só
    Freud tinha carinho pela família e não teria passado sem ela. Mas a família não diminuía seu sentimento desalentador de isolamento.


    Freud abrigou durante anos a crença obcecante de que estava destinado a morrer aos 51 anos.


    "uma ponta de verdade se esconde por trás de toda sandice popular."