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    July 31

    Balzac


    Pensa que entregarei ao primeiro patife que souber desempenhar a comédia de uma paixão, as últimas, as mais preciosas riquezas de meu coração e corromper minha vida por um momento de duvidoso prazer? Não! Minha alma será consumida por uma chama pura. Senhor, todos os homens têm a sensualidade de seu sexo; mas aquele que tem a alma sensual, e assim satisfaz a todas as exigências de nossa natureza, cuja melodiosa harmonia jamais se comove senão sob a pressão dos sentimentos, esse não se encontra duas vezes em nossa existência.
    July 27

    Ítalo Calvino


    - Sou novo aqui, não é como pensava, tudo é fugidio, não se chega nunca a uma conclusão, não dá para entender.
    (...).
    - Tudo dá nojo.
    - Bem, veja só, eu não seria tão pessimista; há momentos em que me sinto cheio de entusiasmo e também admiração, parece que compreendo tudo e me digo: se agora encontrei o ângulo exato para ver as coisas (...) então é realmente aquilo que sonhava. Todavia, não se pode nunca estar certo de nada...
    - E de que deseja estar certo? Insígnias, patentes, pompas, nomes... Toda uma parada. Os escudos com as façanhas e as divisas dos paladinos não são de ferro: são papel, que pode ser atravessado de um lado a outro com um dedo.

    July 13

    Essa eu não sabia


    "Entre 1930 e 1980 o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo". Luiz Carlos Bresser Pereira (Ex-ministro da Fazenda e professor da FGV).
    Frase citada por ele  no Café Filosófico.

    Uma verdade incoveniente (sexta parte)


     
    Uma Verdade Inconveniente-6
    Colocado por todeath

    Uma verdade incoveniente (quinta parte)


     
    Uma Verdade Inconveniente-5
    Colocado por todeath

    Uma verdade inconveniente (quarta parte)


       
    Uma Verdade Inconveniente-4
    Colocado por todeath

    Uma verdade inconveniente (terceira parte)


      
    Uma Verdade Inconveniente-3
    Colocado por todeath

    Uma verdade inconveniente (segunda parte)

     

     
    Uma Verdade Inconveniente-2
    Colocado por todeath

     

    Uma verdade incoveniente (primeira parte)

     
         
    Uma Verdade Inconveniente-1
    Colocado por todeath
    July 12

    Poema de Viviane Mosé citado por ela no Café Filosófico


    Receita pra lavar palavra suja

    Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
    Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
    Algumas palavras quando alvejadas ao sol
    adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
    Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
    que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
    e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
    São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
    Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
    Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
    Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
    Perda e morte na medida em que são alvejadas
    soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
    que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
    O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
    em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
    é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
    sabão em pó e máquina de lavar.
    O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
    no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
    a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
    Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
    sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
    o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
    Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
    Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
    sob o risco de perderem o sentido.
    A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
    produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
    Muito importante na arte de lavar palavras
    é saber reconhecer uma palavra limpa.
    Conviva com a palavra durante alguns dias.
    Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
    pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
    não a seu lado mas sobre seu corpo.
    Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
    prolifera em toda sua possibilidade.
    Se puder suportar essa convivência até não mais
    perceber a presença dela,
    então você tem uma palavra limpa.
    Uma palavra limpa é uma palavra possível.

    Poema de Viviane Mosé citado no por ela no Café Filosófico


    quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
    o tempo andou riscando meu rosto
    com uma navalha fina
     
    sem raiva nem rancor
    o tempo riscou meu rosto
    com calma
     
    (eu parei de lutar contra o tempo
    ando exercendo instantes
    acho que ganhei presença)
     
     
    acho que a vida anda passando a mão em mim.
    a vida anda passando a mão em mim.
    acho que a vida anda passando.
    a vida anda passando.
    acho que a vida anda.
    a vida anda em mim.
    acho que há vida em mim.
    a vida em mim anda passando.
    acho que a vida anda passando a mão em mim
     
     
                          e por falar em sexo quem anda me comendo
    é o tempo
    na verdade faz tempo mas eu escondia
    porque ele me pegava à força e por trás
     
    um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
    se você tem que me comer
    que seja com o meu consentimento
    e me olhando nos olhos
     
    acho que ganhei o tempo
    de lá pra cá ele tem sido bom comigo
    dizem que ando até remoçando
     
    July 01

    Ensaios sobre a liberdade - Stuart Mill


    Pessoas talentosas, é verdade, são, e provavelmente serão uma pequena minoria; mas a fim de tê-las, é necessário preservar o solo no qual elas crescem. Os gênios podem apenas respirar livremente em uma atmosfera de liberdade.

     

    Pessoas talentosas são, ex vi termini, mas individuais do que quaisquer outras pessoas – menos capazes, conseqüentemente, de se adaptar, sem compressão prejudicial a qualquer pequeno  número de moldes que a sociedade fornece a fim de poupar seus membros do incômodo de formar suas próprias  personalidades.

     

    Se por causa da timidez eles consentirem em ser forçados a um destes moldes, e para deixar que toda aquela parte de si mesmos que não pode expandir sob pressão permaneça inexpandível, a sociedade será um pouco melhor para seus gênios.

     

    Se eles forem de caráter forte e romperem seus grilhões, tornar-se-ão uma marca para a sociedade que não conseguiu reduzi-los ao lugar comum, de apontá-los com solene advertência como “selvagem”, “errante”, e outras coisas semelhantes; como se alguém devesse se queixar do rio Niágara por não correr suavemente entre suas margens como um canal holandês.