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July 31 BalzacPensa que entregarei ao primeiro patife que souber desempenhar a comédia de uma paixão, as últimas, as mais preciosas riquezas de meu coração e corromper minha vida por um momento de duvidoso prazer? Não! Minha alma será consumida por uma chama pura. Senhor, todos os homens têm a sensualidade de seu sexo; mas aquele que tem a alma sensual, e assim satisfaz a todas as exigências de nossa natureza, cuja melodiosa harmonia jamais se comove senão sob a pressão dos sentimentos, esse não se encontra duas vezes em nossa existência. July 27 Ítalo Calvino- Sou novo aqui, não é como pensava, tudo é fugidio, não se chega nunca a uma conclusão, não dá para entender. (...). - Tudo dá nojo. - Bem, veja só, eu não seria tão pessimista; há momentos em que me sinto cheio de entusiasmo e também admiração, parece que compreendo tudo e me digo: se agora encontrei o ângulo exato para ver as coisas (...) então é realmente aquilo que sonhava. Todavia, não se pode nunca estar certo de nada... - E de que deseja estar certo? Insígnias, patentes, pompas, nomes... Toda uma parada. Os escudos com as façanhas e as divisas dos paladinos não são de ferro: são papel, que pode ser atravessado de um lado a outro com um dedo. July 13 Essa eu não sabia
July 12 Poema de Viviane Mosé citado por ela no Café FilosóficoReceita pra lavar palavra suja Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível. Poema de Viviane Mosé citado no por ela no Café Filosóficoquem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos? o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
July 01 Ensaios sobre a liberdade - Stuart MillPessoas talentosas, é verdade, são, e provavelmente serão uma pequena minoria; mas a fim de tê-las, é necessário preservar o solo no qual elas crescem. Os gênios podem apenas respirar livremente em uma atmosfera de liberdade.
Pessoas talentosas são, ex vi termini, mas individuais do que quaisquer outras pessoas – menos capazes, conseqüentemente, de se adaptar, sem compressão prejudicial a qualquer pequeno número de moldes que a sociedade fornece a fim de poupar seus membros do incômodo de formar suas próprias personalidades.
Se por causa da timidez eles consentirem em ser forçados a um destes moldes, e para deixar que toda aquela parte de si mesmos que não pode expandir sob pressão permaneça inexpandível, a sociedade será um pouco melhor para seus gênios.
Se eles forem de caráter forte e romperem seus grilhões, tornar-se-ão uma marca para a sociedade que não conseguiu reduzi-los ao lugar comum, de apontá-los com solene advertência como “selvagem”, “errante”, e outras coisas semelhantes; como se alguém devesse se queixar do rio Niágara por não correr suavemente entre suas margens como um canal holandês. |
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