Juliana's profileFilosofia, Psicologia, P...PhotosBlogListsMore Tools Help

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    October 02

    Ideário Iluministra - Democracia Burguesa

     
    "Quando se falou em liberdade, o que se viu foi servidão, ainda que de uma forma diversa da servidão antiga e medieval, quando se falou em igualdade, o que se viu foi o aumento das disparidades em escala mundial nunca antes experimentada: quando se falou em fraternidade, o que se viu foi o aumento da rivalidade." - Rinaldi
    September 21

    Teoria do eterno retorno - Nietzsche


    E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"»

    A pergunta que o conceito do Eterno Retorno nos faz é: amamos ou não amamos a vida? Se tudo retorna - o prazer, a dor, a angústia, a guerra, a paz, a grandeza, a pequenez - se tudo torna, isto é um dom divino ou uma maldição? Amamos a vida a tal ponto de a querermos, mesmo que tivéssemos que vivê-la infinitas vezes sem fim? Sofrendo e gozando da mesma forma e com a mesma intensidade? Seríamos capazes de amarmos a vida que temos - a única vida que temos - a ponto de querermos vivê-la tal e qual ela é, sem a menor alteração, infinitas vezes ao longo da eternidade? Temos tal amor ao nosso destino? - Eis a grande indagação que é o Eterno Retorno.

    Ele é, portanto, a maior indagação da filosofia: aquele que quer respondê-la deve posicionar-se além de bem e mal -enxergar a vida como o todo único e múltiplo que ela é: e amá-la. 

    O Eu: Processo ou Ilusão - James F. T. Bugental

     
    (...) cada  um de nós é verdadeiramente livre. A verdadeira liberdade não consiste, em meu entender, em algo fortuito e aleatório, assim como não é sinônimo de licença para que alguém seja ou faça o que bem lhe apeteça no momento. A liberdade que sinto ser o nosso direito humano de nascença, consiste no potencial de mudança e crescimento, assim como na capacidade da nossa intencionalidade para, em certa medida, guiar a direção e o montante desse crescimento.
     
    O que acontece, pois, a expressão tão conhecidas como autoconfiança? Parece óbvio que a conficança autêntica não se baseia na esperança de se estar apto a atuar numa situação presente como se atuou em situações passadas. Fazê-lo seria, nas melhor das hipóteses, uma base arriscada para a confiança, pois nunca duas situações são extamente idênticas. Pelo contrário, penso que a confiança autêntica reside na fé da pessoa em sua própria confiança de recriar continuamente o seu ser no presente.
     
    Quando somos sumamente autênticos, procuramos emancipar-nos de nossas histórias, chegar ao momento presente abertos, quer para a sua singularidade, quer para a sua familiaridade. Somos genuína e criativamente confiantes quando nos apercebemos de que, na realidade, não somos apenas criaturas daquilo que fomos, quando reconhecemos que somos verdadeiramente, ainda que de modo finito, indivíduos livres; e quando realizamos (tornamos real) essa liberdade, através da vigorosa originalidade de cada novo momento...
    September 18

    Todos os homens são mortais - Simone de Beauvoir


    Fosca, na medida em que se vê como imortal, sente invadido por um presente interminável, pesado como um exílio. Para ele o tempo passa, nada acontece de verdade e nada poderá acontecer, uma vez que o futuro é só uma extensão desse presente, assim como o passado.
     
    "_ Não há mais o que contar - disse Fosca. Todos os dias o sol levantou-se, deitou-se. Entrei no hospício, saí do hospício. Houve guerras: depois da guerra, a paz; depois da paz outra guerra. Todos os dias os homens nascem e homens morrem"

    Morte e Desenvolvimento Humano


    A todo momento temos que escolher. A cada escolha que fazemos decretamos a morte da outra possibilidade não escolhida. Isso freqüentemente nos traz ansiedade frente ao conflito de não podermos viver tudo ao mesmo tempo, de não podermos estar em mais que um lugar ao mesmo tempo.  

    Quem se atreve a ter certeza - A realidade quântica e a filosofia

     
    Talvez o corpo físico seja, afirma do Dr. Chopra, o que os ensinamentos védicos chamavam de maya, ilusão, que nos dá  a aparência de alguma coisa mas que, na realidade, algo mais do que a nossa percepção pode notar. Talvez nosso corpo seja, literalmente uma música, parte de uma sinfornia que sempre esteve aqui.
    September 13

    Porque ler Nietzsche hoje


    Dentre os clássicos da filosofia moderna, Nietzsche talvez seja o pensador mais incômodo e provocativo. Sua vocação crítica cortante o levou ao submundo de nossa civilização, sua inflexível honestidade intelectual denunciou a mesquinhez e a trapaça ocultas em nossos valores mais elevados, dissimuladas em nossas convicções mais firmes, renegadas em nossas mais sublimes esperanças. Essa atitude deriva do que Nietzsche entendia por filosofia.
    Para ele, filosofar é um ato que se enraíza na vida e um exercício de liberdade. O compromisso com a autenticidade da reflexão exige vigilância crítica permanente, que denuncia como impostura qualquer forma de mistificação intelectual. Por isso, Nietzsche não poupou de exame nenhum de nossos mais acalentados artigos de fé. O destino da  cultura, o futuro do ser humano na história, sempre foi sua obsessiva preocupação. Por causa dela, submeteu à crítica todos os domínios vitais de nossa civilização ocidental: científicos, éticos, religiosos e políticos.
    Nietzsche é um dos grandes mestres da suspeita, que denuncia a moralidade e a política moderna como transformação vulgarizada de antigos valores metafísicos e religiosos, numa conjuração subterrânea que conduz ao amesquinhamento das condições nas quais se desenvolve a vida social. Nesse sentido, ele é um dos mais intransigentes críticos do nivelamento e da massificação da humanidade. Para ele, isso era uma conseqüência funesta da extensão global da sociedade civil burguesa, tal como esta se configurou a partir da Revolução Industrial.
    Nietzsche se opõe à supressão das diferenças, à padronização de  valores que, sob o pretexto de universalidade, encobre, de fato, a imposição totalitária de interesses particulares; por isso, ele é também um opositor da igualdade entendida como uniformidade. Assim, denunciou a transformação de pessoas em peças anônimas da engrenagem global de interesses e a manipulação de corações e mentes pelos grandes dispositivos formadores de opinião.
    O esforço filosófico de Nietzsche o levou a se confrontar com as grandes correntes históricas responsáveis pela formação do Ocidente: a tradição pagã greco-romana e a judaico-cristã; e o que resultou da fusão entre as duas.
    Ao longo desse seu confronto com o conjunto da herança cultural de nossa tradição, Nietzsche forjou conceitos e figuras do pensamento que até hoje impregnam nosso vocabulário e povoam nosso imaginário político e artístico. Tais são, por exemplo, as noções de Apolo e Dionísio, transformadas em categorias estéticas, os conceitos de vontade de poder, além-do-homem (Übermensch), eterno retorno e niilismo e a figura da morte de Deus.
    É impossível se colocar à altura dos principais temas e questões de nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche. Ateísta radical, ele atribui ao homem a tarefa de se reapropriar de sua essência e definir as metas de seu destino. Dele afirma o filósofo Martin Heidegger: "Nietzsche é o primeiro pensador que, perante a história universal pela primeira vez aflorada em seu conjunto, coloca a pergunta decisiva e a reflete internamente em toda a sua extensão metafísica. Essa pergunta reza: como homem, em sua essência até aqui, está o homem preparado para assumir o domínio da terra?"
    Nesse sentido, Nietzsche é o pensador de nossas angústias, que não poupou nenhuma certeza estabelecida --sobretudo as suas próprias convicções - e desvendou os mais sinistros labirintos da alma moderna.
    Com a paixão que liga a vida ao pensamento, Nietzsche refletiu sobre todos os problemas cruciais da cultura moderna, sobre as perplexidades, os desafios, as vertigens no fim do século 19. Dessa sua condição, postado entre o final e o início de duas eras, Nietzsche esboçou um quadro que, em todos os seus matizes, nos concerne ainda, na passagem a um novo milênio, em direção a um destino que ainda não se pode discernir.
    A despeito de sua visão sombria, Nietzsche tentou ser, ao mesmo tempo, um arauto de novas esperanças. Sua mensagem definitiva --a criação de novos valores, a instituição de novas metas para a aventura humana na história - é também um cântico de alegria. Essa é uma das razões pelas quais o estilo de Nietzsche resulta da combinação paradoxal de elementos antagônicos: sombra e luz, agonia e êxtase, gravidade e leveza.
    Isso explica por que, para ele, o riso e a paródia são operadores filosóficos inigualáveis: eles permitem reverter perspectivas fossilizadas. Nietzsche, o impiedoso crítico das crenças canônicas, é também um mestre da ironia. Sua ambição consiste em tornar superfície o que é profundidade, restituir a graça ao peso da seriedade filosófica.
    Opositor ferrenho da dialética socrática, Nietzsche reedita, no mundo moderno, o gesto irônico do pai fundador da filosofia ocidental.
    Decisivo adversário de Platão, sua filosofia talvez possa ser caracterizada como uma inversão paródica do platonismo. Definindo-se como o mais intransigente anticristão, dá, no entanto, à sua autobiografia intelectual, escrita no final de sua vida, o título Ecce Homo ("Eis o Homem") - expressão empregada por Pilatos ao apresentar Jesus a seus algozes, pouco antes da Paixão.
    Nietzsche, o filósofo-artista, um poeta que só acreditava numa filosofia que fosse expressão das vivências genuínas e pessoais, vendo na experiência estética uma espécie de êxtase e redenção, é, por isso mesmo, um precursor da crítica a um tipo de racionalidade meramente técnica, fria e planificadora. A despeito da profundidade e da gravidade das questões com que se ocupa, sempre as tratou em estilo artístico, poeticamente sugestivo; só acreditava na autenticidade de um pensamento que nos motivasse a dançar. Ele mesmo imagina sobre sua porta a inscrição:

    Moro em minha própria casa
    Nada imitei de ninguém
    E ainda ri de todo mestre
    Que não riu de si também.

    Sem extravasar os limites dos livros desta série, Folha Explica Nietzsche se propõe a ser uma apresentação geral do homem e do filósofo Friedrich Nietzsche. Seu objetivo é fazer com que o leitor se familiarize com os conceitos, as figuras e o estilo de Nietzsche - não para depois encerrá-los em qualquer câmara da memória, mas sim para despertar seu interesse e estimulá-lo a seguir adiante. Aceitar o desafio de Nietzsche implica, sobretudo, pensar independentemente; e por isso, às vezes, também contra Nietzsche.


    Oswaldo Giacóia Júnior
    é professor de filosofia na Unicamp. Formado em Direito pela USP, Giacóia é mestre em Filosofia pela PUC-SP e doutor em Filosofia pela Freie Uinversität Berlin (Alemanha).

    A confissão de Lúcio - Mário de Sá-Carneiro


    É que, em realidade, as horas não podem mais ter ação sobre aqueles que viveram um intante que focou toda a sua vida. Atingido o sofrimento máximo, nada já nos faz sofrer. Vibradas as sensações máximas, nada já nos fará oscilar. Simplesmente, este momento culminante raras são as criaturas que o vivem. As que o viveram ou são, como eu, os mortos-vivos, ou - apenas - os desencantados que, muitas vezes, acabam no suicídio.
    Contudo, ignoro se é felicidade maior não se existir tamanho instante. Os que não o vivem - têm a paz - pode ser. Entretanto, não sei. E a verdade é que todos esperam esse momento luminoso. Logo, todos são infelizes. Eis pelo que, apesar de tudo, eu me orgulho de ter vivido.
     
    May 13

    Aos que virão depois de nós - Bertold Brecht


    Eu vivo em tempos sombrios.
    Uma linguagem sem malícia é sinal de
    estupidez,
    uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
    Aquele que ainda ri é porque ainda não
    recebeu a terrível notícia.
    Que tempos são esses, quando
    falar sobre flores é quase um crime.
    Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
    Aquele que cruza tranqüilamente a rua
    já está então inacessível aos amigos
    que se encontram necessitados?
    É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
    Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
    Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
    Por acaso estou sendo poupado.
    (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
    Dizem-me: come e bebe!
    Fica feliz por teres o que tens!
    Mas como é que posso comer e beber,
    se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
    se o copo de água que eu bebo, faz falta a
    quem tem sede?
    Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
    Eu queria ser um sábio.
    Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
    Manter-se afastado dos problemas do mundo
    e sem medo passar o tempo que se tem para
    viver na terra;
    Seguir seu caminho sem violência,
    pagar o mal com o bem,
    não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
    Sabedoria é isso!
    Mas eu não consigo agir assim.
    É verdade, eu vivo em tempos sombrios!   
     
    Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
    quando a fome reinava.
    Eu vim para o convívio dos homens no tempo
    da revolta
    e me revoltei ao lado deles.
    Assim se passou o tempo
    que me foi dado viver sobre a terra.
    Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
    deitei-me entre os assassinos para dormir,
    Fiz amor sem muita atenção
    e não tive paciência com a natureza.
    Assim se passou o tempo
    que me foi dado viver sobre a terra.

    Vocês, que vão emergir das ondas
    em que nós perecemos, pensem,
    quando falarem das nossas fraquezas,
    nos tempos sombrios
    de que vocês tiveram a sorte de escapar.
    Nós existíamos através da luta de classes,
    mudando mais seguidamente de países que de
    sapatos, desesperados!
    quando só havia injustiça e não havia revolta.
    Nós sabemos:
    o ódio contra a baixeza
    também endurece os rostos!
    A cólera contra a injustiça
    faz a voz ficar rouca!
    Infelizmente, nós,
    que queríamos preparar o caminho para a
    amizade,
    não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
    Mas vocês, quando chegar o tempo
    em que o homem seja amigo do homem,
    pensem em nós
    com um pouco de compreensão. 

    Perguntas de um operário letrado - Bertold Brecht


    Quem construi Tebas, a das sete portas?
    Nos livros vem o nome dos reis.
    Mas foram os reis que transportaram as pedras?
    Babilónia, tantas vezes destruída.
    Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
    Da Lima dourada moravam seus obreiros?
    No dia em que ficou pronta a Muralha da China, para onde
    Foram os seus pedreiros? A grande Roma
    Está cheia de arcos do triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
    Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
    Só tinha palácios
    Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
    Na noite em que o mar a engoliu
    Viu afogados gritar por seus escravos.

    O jovem Alexandre conquistou as Índias.
    Sozinho?
    César venceu os gauleses.
    Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
    Quando a sua armada se afundou, Filipe de Espanha
    Chorou. E ninguém mais?
    Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos.
    Quem mais a ganhou?
    Em cada página uma vitória.
    Quem cozinhava os festins?
    Em cada década um grande homem.
    Quem pagava as despesas?

    Tantas histórias.
    Quantas perguntas.

    As boas ações - Bertold Brecht

     
    Esmagar sempre o próximo
    não acaba por cansar?
    Invejar provoca um esforço
    que inchas as veias da fronte.
    A mão que se estende naturalmente
    dá e recebe com a mesma facilidade.
    Mas a mão que agarra com avidez
    rapidamente endurece.
    Ah! que delicioso é dar!
    Ser generoso que bela tentação!
    Uma boa palavra brota suavemente
    como um suspiro de felicidade!

    De que serve a bondade - Bertold Brecht


    De que serve a bondade
    Se os bons são imediatamente liquidados,ou são liquidados
    Aqueles para os quais eles são bons?

    De que serve a liberdade
    Se os livres têm que viver entre os não-livres?

    De que serve a razão
    Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
    Em vez de serem apenas bons,esforcem-se
    Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade
    Ou melhor:que a torne supérflua!

    Em vez de serem apenas livres,esforcem-se
    Para criar um estado de coisas que liberte a todos
    E também o amor à liberdade
    Torne supérfluo!

    Em vez de serem apenas razoáveis,esforcem-se
    Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo
    Um mau negócio. 
     
    April 23

    I have a dream - Martin Luther King Jr.


    I have a dream
    Martin Luther King, Jr.
    28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

    Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.

    Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inexplicavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

    Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.

    Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".

    Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

    Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

    Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

    Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo espiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.

    April 22

    Bob Marley


    É melhor atirar-se à luta, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático como os pobres de espírito, que não lutam mas que também não vencem. Que não conhecem a dor da derrota, mas que não têm a glória de ressurgir dos escombros. Estes pobres de espírito, no final da jornada na Terra, não agradecerão a Jah por terem vivido, e sim pedirão desculpas por terem simplesmente passado pela vida.

    Aristótoles

     
    Qualquer um pode zangar-se – isso fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa – não é fácil.

     

    Amyr Klink


    Dias de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo. Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mal tempo. A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança.
    Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso antes de mais nada, querer.

    Carlos Drummond de Andrade


    Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus;
    tempo de absoluta depuração;
    tempo em que não se diz mais, meu amor!
    Porque o amor resultou inútil
    E os olhos não choram
    E as mãos tecem apenas o rude trabalho
    E o coração está seco.

    Pouco importa que venha a velhice, o que é a velhice?
    Teus ombros suportam o mundo
    E ele não pesa mais que a mão de uma criança
    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

    Lou Andreas Salomé


    Ouse, ouse... ouse tudo!!
    Não tenha necessidade de nada!
    Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
    Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
    Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!

    Ouse, ouse tudo!
    Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
    Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!

    Antonie de Saint-Exupéry


    Cada um que passa em nossa vida,

    passa sozinho, pois cada pessoa é única
    e nenhuma substitui outra.

    Cada um que passa em nossa vida,
    passa sozinho, mas não vai só
    nem nos deixa sós.

    Leva um pouco de nós mesmos,
    deixa um pouco de si mesmo.

    Há os que levam muito,
    mas há os que não levam nada.

    Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
    e a prova evidente de que duas almas
    não se encontram ao acaso.

     

    Jonh Donne


    Nenhum homem é uma ilha isolada;
    cada homem é uma partícula do continente,
    uma parte da terra;
    se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída,
    como se fosse um promontório,
    como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria;
    a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano.
    e por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por TI”.  

    John Donne, poeta inglês citado por Hemingway na epígrafe de seu romance sobre a Guerra Civil Espanhola, Por quem os sinos dobram.